A lei da vida – Registro histórico

8 de junho de 2015

Eu sempre procurei uma fórmula, uma passagem mágica, ou um caminho escondido que me levasse para onde eu queria…

Com o passar do tempo eu descobri que estas opções não existiam, mas continuei insistindo, pois, esta esperança era tudo o que eu tinha.

Eu acreditei que eu poderia fazer uma ponte de pessoas e que com esta ponte eu atravessaria os mais turbulentos oceanos da minha vida, que as pessoas daquela ponte sempre me sustentariam, que seriam meu apoio e que nunca me deixariam cair. Com o tempo, porém, eu percebi que estas pessoas não existiam, que todas elas não faziam parte de mim, e que em algum dia, ou agora elas me abandonariam.

Eu fiz uma fortaleza com a minha própria vida, eu me fiz de escudo e pensei que ninguém poderia passar por mim e entrar em meu coração. Mais uma vez eu me enganei e descobri que ninguém é inalcançável, que todos nós temos o nosso ponto fraco.

Eu construi uma fortaleza e ela me separava deste mundo e isolava a minha vida das outras pessoas. Eu vivia por mim mesma e ninguém invadia o meu espaço, mas como o muro de Berlim a minha fortaleza foi derrubada, sem que eu soubesse como, ou em qual parte.

Agora estou perdida em meio a tudo isso que me cerca. Há um círculo de pessoas em movimento, e eu estou no meio inerte, olhando e observando.

Eu pensei que eu seria “a sobrevivente”, pensei ser imune, pensei ser intocável…

Meu coração, porém, é sensível ao toque como o de qualquer ser humano.

Pensei está escondida, camuflada, oclusa, mas descobri que me enxergam, que não sou invisível.

Notei uma fresta secreta na qual a luz penetra com raios parcos nesse túnel frio e escuro.

Descobri que de alguma rocha brota um tipo de água cristalina, e que o calor do sol aquece a terra.

Percebi lados de um lugar que sempre vivi e nunca explorei.

Dentro de mim há algo e este algo é quase indescritível, incompreensível, enigmático.

A chuva cai e eu fecho os meus olhos, prendo-me nesse breu e me imagino debaixo dela sentido cada gota macia que cai do céu regar a minha alma. Ouço o barulho estrondeante que vem de fora da caverna. Eu sinto a chuva lavar o meu espírito, sinto nós duas: Eu e ela vivendo sob o céu sem medo das trovoadas, dos relampejos e dos raios…

Delicadamente algo leve brota em meu rosto – um pequeno sorriso regado de lágrimas – eu e a chuva choramos juntas pelo que nós duas não conhecemos bem.

Quando a chuva vai, novamente eu fico sozinha e lembro-me do que não sei, pergunto-me os significados das coisas…

Entendo que agora a chuva cai em outro “mundo”, mas os outros mundos não são meus. Tudo que faço é aguarda-la novamente e a esperar com uma esperança ilimitada a sua volta para lavar-me do mal outra vez.

PS: Como o que não me falta é senso histórico uma vez ou outra estarei postando com a marcação “Registro histórico” alguns escritos antiguinhos.

5 comentários em “A lei da vida – Registro histórico

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  1. Amei, Andrea! ❤
    Me sinto assim às vezes. Mal consigo me entender no meio dessas confusões.

    Três ou quatro vezes por ano, costumo escrever o que eu imagino ser e como a vida é para mim. Acho que chamarei eles de registros históricos também…

    A escrita e a leitura nos ajuda a entender onde estamos, onde paramos e o porquê de estarmos ali.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Imagino como devem ser incríveis os seus registros. Fico feliz com a sua opinião e por ter gostado! Quanto a escrita e a leitura você só disse verdades! Beijos

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