Reversão

Li uma frase há alguns dias que de início era só uma frase bonita, mas depois me fez despetar e o efeito foi tão forte que me fez escrever este texto – depois de um tempo sem escrever absolutamente nada. Escrevi algo que quando terminei, disse “porra, isso é forte, isso é a minha parte podre”.

Era algo que eu queria esquecer completamente, mas não porque eu queria de verdade, apenas porque não queria que ninguém soubesse e ao mesmo tempo eu sentia a necessidade de contar. Como não tive coragem de contar pra alguém, resolvi esconder nas linhas tortas de um poema – é assim que geralmente consigo contar aquilo que gostaria de manter guardado.

Uma semana atrás, senti uma vontade absurda de fumar um cigarro – eu via uns colegas fumando e sempre tive vontade, mas sempre faltou coragem. Daquela vez eu consegui, fui até o supermercado perto de casa e comprei meus primeiros cigarros. Fiquei com medo de me viciar – e esse medo fazia sentido. Em um dia consumi a carteira inteira – achava que não conseguiria.

O vício que eu disse nunca ser capaz de me consumir, já fazia morada em mim. Em apenas alguns dias já não conseguia ficar sem cigarros. Outro dia sentei em minha cama e olhei para a carteita de cigarros em cima da cômoda, me olhei no espelho, olhei em volta do meu quarto e escrevi o seguinte poema:
É melancólico
Vê-la jogada pelos cantos
É trágico
Vê-la chorando

Seu cheiro de cigarro
Está por todo o apartamento
Ouço seu choro por cada esquina
Consigo sentir essa dor que a consome

Há maços de cigarro espalhados por seu quarto
Esse seu cheiro imundo
Esse ser imundo
Você e o mundo

Por que você chora?
Por que você fica triste?
Por que não levanta?
Por que você fuma?
Por que você afunda?
Por que você…

Por que você ainda está aqui?

.

Li e reli. Não acreditei tê-lo feito. Nunca tinha feito algo tão meu. Sabe quando você lê algo e diz “é isso”, “me descreveu” – foi isso. Eu pensei por alguns minutos… Fui até a cômoda, peguei os cigarros e joguei fora. Ainda sinto vontade de fumar, aprecio o cheiro do cigarro quando sinto de longe, mas aquilo não era pra mim. E dessa vez eu não precisei que ninguém dissesse que não era pra mim.

Um comentário em “Reversão

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  1. Olá, desta vez pode-se dizer: venceu!
    Olha o que deu no final! O ouro quase
    derreteu.
    Foi qual batata quente, se ficasse na
    sua mão, hoje não estaria contente.
    Foi Deus que a ajudou e, você quis,
    Senão dessa forma quebraria o nariz.
    Deus é bom! E Foi ele quem a criou e,
    dele é filha! Valorize-se não voltando
    mais ao tabaco, ao contrário se ilha.
    Deus é a sua fortaleza.

    Curtido por 1 pessoa

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