Voz da experiência

Se eu posso dar um conselho? Claro que sim! E aproveitem porque é gratuito! O conselho que dou é o seguinte: procure saber qual é a música favorita da pessoa que você gosta. Principalmente se for alguém que começou a se relacionar contigo há pouco tempo. O motivo? Oras, é bem simples: desconfie de todas as pessoas cujo coração gira em torno da tristeza. Ela pode estar sorrindo ao seu lado, mas no fundo possui alguma causa não superada. E o pior! É provável que ela não pretenda superar. Na maioria dos casos com indivíduos desse tipo, as canções tristes servem como uma dose de nostalgia, uma garrafa de vinho servida gelada com momentos do passado gravados na embalagem. Quem (ao contrário de seguir em frente) dá preferência a nostalgias negativas, cuidando e e alimentando um câncer sentimental, seja através de livros, filmes ou músicas, não é digno da sua confiança e possivelmente desconfia até mesmo do amor que você tem pra dá.

É claro que eu não tenho nada contra os singles melancólicos, afinal possuo doutorado em Legião Urbana, banda que brincava com disso como ninguém. Mas normalmente tais estilos musicais são apreciados em três ocasiões previsíveis, são elas: fases problemáticas da vida, gatilhos de memória duma determinada situação já vencida, ou um estado de reflexão sobre o mundo do qual vivemos, seja pessoal, seja filosófico. Por isso, cuidado! Gente que adota composições completamente derrotistas a fim de afogar os próprios neurônios diariamente, estão além das situações usuais já consideradas. São pessoas que precisam de cuidados, de carinho, compreensão e tratamento. É evidente que ainda há uma ferida aberta e completamente infeccionada no coração. É evidente também que o paciente prefere se esconder no cobertor ao invés de consultar o médico.

Caso você se pergunte o motivo pelo qual eu aconselhei o uso da sua desconfiança (e não da compaixão) é porque você precisa ficar em alerta ao se deparar com alguém dessa condição, especialmente aqueles que negam a própria dor de todas as formas. Gente que você sabe que está doente só de olhar nos olhos, mas que insiste em dizer que está “tudo bem”. Gente que te abraça, beija o seu rosto, diz que te ama, mas chora ouvindo Radiohead de madrugada.  “Alguma coisa tem…”, como diz aquela famosa letra sertaneja. E no mundo dos depressivos e frustrados em que vivemos atualmente, arrisco ir mais a fundo, mudar a frase e dizer que “alguma coisa sempre tem”!

Então… sim! Desconfie de todas as pessoas cujo coração (e ouvido) gira em torno da tristeza. Caso você esteja conhecendo alguém que se enquadre nessa situação, fique tranquilo – não é nada que não dê para mudar ou superar, mas serão necessário tempo e uso do amor como remédio. Tenha paciência! Use seu amor como um remédio em gotas e não como uma injeção, se tentar resolver tudo de uma só vez, se virar para a pessoa amada e mostrar uma agulha, a primeira reação natural dela será se afastar de você, aumentando ainda mais a ferida, tornando-a, quem sabe, incurável.

Dizem que os melhores conselhos são dados por quem já esteve do outro lado da moeda, como já dizia Oscar Wilde: “A experiência é o nome que damos aos nossos erros”, logo, leve em conta o palpite… Existe um fundamento.

13 comentários em “Voz da experiência

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  1. Você escreve bem, percebo que tem desenvoltura e conteúdo. Mas, por favor, sugiro que pondere quando falar de depressão: “alguma coisa sempre tem”.

    Sim, tem uma pessoa doente. Não por escolha, mas porque alguma coisa sempre tem desregulada no cérebro. É uma doença como outra qualquer, que precisa ser tratada por especialistas no assunto. Que precisa parar de ser estigma.

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    1. Sim, precisam de cuidado, carinho e atenção como eu havia dito. E mesmo que a causa dos problemas seja uma doença desse perfil, convenhamos… não deixa de ter “alguma coisa” no final das contas, ou seja: um motivo real para a situação.

      Já escrevi outras vezes sobre a depressão Cristileine, nessa linha de “pensamentos”, há outros textos por aqui que até mesmo narram fases depressivas que enfrentei. Esse post, em especial, não gira exatamente em torno disso, não se trata de abordar a depressão como doença. Trato aqui, notadamente, de pessoas que estão acomodadas num determinado estado emocional negativo, sentem-se seguros assim e não pretendem mudar. Uma vez acomodados, não hesitam em omitir de seus parceiros o que realmente sentem.
      Como também escrevi: não é nada que não possua solução, pelo contrário.

      Obrigado pela leitura e comentário, por favor, volte sempre que possível.

      Beijos.

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  2. Amigo, me desculpe, mas eu discordo um pouco de você. Eu tenho uma banda punk hardcore desde 1999 (sobreviventes.bandcamp.com), cujas letras são de protestos em vários segmentos, porém, recentemente, estou com um novo projeto chamado Paradoxe Ordinaire, e a temática lírica é bem melancólica, no sentido de descrença pelo ser humano e etc. Tenho ouvido muita coisa como Depressive Black Metal, Post Black Metal, Algo na linha de Folk Black Metal, Blackgaze, Suicide Black Metal e por aí vai. Tenho meus momentos de tristeza, como todo mundo claro, mas acho que não se pode julgar as pessoas por isso.

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    1. Rodrigo, bom dia! E obrigado por comentar. De certa forma você vive disso, pesquisa o tema e ouve as músicas para fins profissionais, não pesquisa no intuito saciação de um sofrimento pessoal, como no caso da persona descrita. É como comparar alguém que ler Nietzsche por estar angustiado, com o próprio Nietzsche quando já superou aquele estado. Ou comparar um palestrante da ONU falando sobre a fome africana, com a própria criança africana que passa fome. São figuras de níveis psicológicos completamente distintos.
      Ademais, esse pensamento serve apenas para deixar o leitor com um pé de atrás, com o sinal de precaução ligado a partir do momento em que começar a se envolver com alguém assim. O intuito não é generalizar o mundo inteiro, eu deixei isso claro no texto quando citei situações pessoais, do contrário estaria entrando em contradição.

      Abraços!

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      1. Meu amigo, eu passei por 3 depressões, hoje sofro de transtorno de ansiedade. Me envolvi com alguém que estava no mesmo barco e fingia não estar.
        Quando ela percebeu que não mais precisava de mim, me abandonou, no meio de uma crise de depressão. Pense o estado que fiquei?
        Depois conheci uma pessoa maravilhosa e ela me ajudou e ajuda muito nisso. Me impulsiona saca?
        O ser humano nao ama o outro, ele procura no outro aquilo que não tem.
        Abraços

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        1. “O ser humano não ama o outro…”
          Com o seu comentário, posso concluir então que a pessoa maravilhosa que tanto te ajuda, só fez o que fez porque viu em você – na época um depressivo – aquilo que não tinha? Eu acho que se ela sente alguma coisa por você, não gostaria de te ver resumindo o sentimento todo numa simples troca de interesses.
          Mas bem, é só a minha opinião.

          “O ser humano não ama o outro…”
          Tente não colocar a situação que você viveu como uma ótica global, não ignore milênios de provas e provas diferentes sobre o amor humano, nas mais diversas camadas e situações, por causa das suas experiências pessoais.

          “O ser humano não ama o outro…”
          Engraçado, não? Você começou dizendo que eu estava generalizando e acabou que foi você quem fez isso. Palmas.

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          1. Bom na verdade eu me expressei mal. Eu quis dizer que o amor nasce daquilo que não temos e buscamos. Assim, um vai formando o outro, entende, até que se cria a vontade de ser um só.
            Expliquei melhor?

            Curtido por 1 pessoa

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