Efêmera

Hoje eu tive aquele mesmo desejo de quando conversamos semanas atrás, ou melhor dizendo: o velho desejo que me acompanha desde a noite em que te conheci. Falo da vontade que dá de catar sua atenção, sempre que a saudade bate, ou sempre que a química entra novamente em sincronia.

As vezes penso em enviar uma boa música. Convenhamos e concordamos: não há nada melhor do que assuntos sustentados sobre uma bela composição. Noutras vezes penso em abordar o tema de um novo livro. Enredos e loucuras literárias são sempre bem-vindas, afinal de contas até mesmo a nossa amizade caberia nas páginas de uma.

É uma pena, porém, saber que tudo isso é meteórico. Digo, das coisas que faço, das coisas que digo, das coisas que realizo com carinho e atenção. São artimanhas que lhe roubam sorrisos, certamente. Inclusive acredito que, vez ou outra, um desses bons atos de apreço alcançam a dificílima glória de avermelhar sua bela face. Mas no fim de tudo; do culto, da semana, do mês, do ano, do mundo, tenho a sensação de que retornei ao ponto inicial. Sensação de que todo progresso se dissipou, como numa amnésia biológica. 

A resposta para isso? Bem… quando pretendo disfarçar os motivos, ponho toda culpa em ti, e lhe chamo de distraída – uma louca sobrevivendo ao paradoxo de se concentrar na ideia de ser aérea. Entretanto quando pretendo ser sincero sobre os mesmos motivos, culpo o destino (feio e malfadado) por nos empacotar em bolhas distintas, em rotinas trocadas, quando na verdade somos amantes do mesmo estilo de vida.

Com isso, moça efêmera, a nossa relação, sua personalidade e a minha sina, ensinam-me em idiomas distintos, duas coisas diferentes ao mesmo tempo. Primeiro: que a vontade de possuir um perfeito “amigo íntimo” seja – como definira Fernando Pessoa no manuscrito “Não Tenho Ninguém em Quem Confiar” – um simples ideal inexplicável e inalcançável. Segundo: que tudo na vida é passageiro. É claro que, infelizmente, isso inclui todos os momentos bons que vivo e que viverei ao seu lado.

Por tais razões, mesmo tendo contigo um companheirismo tão doce e inigualável, é certo que, brevemente, você esquecerá as letras das músicas e as memórias dos livros serão substituídas. Será meu dever viver nessa louca mania de reconstrução de laços, já que pretendo mantê-la ao meu lado. Esforço que no caso, vale muito a pena…

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