Las hojas

Escrever é um negócio muito interessante, principalmente quando vasculhamos os rascunhos e publicações antigas. As vezes aparecem lições passadas já esquecidas, que acabam servindo e se encaixando no futuro. Fato que nos obriga a raciocinar e concluir que, mesmo com a reação positiva do público, talvez, o principal destinatário daquelas obras sempre foram os próprios autores, ou seja, nós mesmos.

Isso levanta uma série de questões, dezenas de possibilidades. A mais bonita delas ao meu ver, é a crença de que o coração planta sementes (dicas/orientações/conselhos), dentro de si mesmo. Alguns dos rabiscos é claro, vão ao público – são para o público! Outros porém, são nossos. Exclusivos e pessoais. É a alma que os desenvolve e planta em si mesma. São sementes que servirão como um gatilho, um “start” evolutivo, para que o próprio inconsciente vá absorvendo aos poucos a ideia adquiria. Assim que possuir base prática e não só teórica para tal, elas então germinam, crescem, tornam-se árvores; verdadeiros testemunhos do nosso avanço. Normalmente não notamos, pois estamos embalados demais na rotina para realizar reflexões pessoais e perceber que há coisas boas desabrochando por dentro.

Até que num dia aleatório, ao esquadrinhar coisas antigas, o texto reaparece como se fosse a nota fiscal da velha semente. Ao ler, sentimos na pele os mesmos males suportados outrora, contudo enquanto a nostalgia relembra o caráter por trás daquelas letras, o tempo demonstra que não só sobrevivemos a todas elas, como também aprendemos com os questionamentos realizados.

Os textos em si, antes tão significantes, acabam se tornando apenas notas adesivas. No terreno do coração, ele é a placa informativa que antecede a árvore. Diz seu nome, sua origem, sua utilidade. Após a leitura da placa, olhamos pra árvore cheia de galhos e farta de frutos. Alguns, digo; os mais distraídos, até questionam: “oras, como uma árvore dessas apareceu aqui em tão pouco tempo, se não a vi crescer? Lembro-me apenas da semente, que foi lançada aos meus leitores, não a mim“. Eles apenas se esquecem que foram justamente os momentos de devaneios que nutriram involuntariamente o aprendizado.

Ou seja, o coração dá aulas a si mesmo. Para tal, utiliza o tempo como ferramenta e a distração como ambiente. Escrever é mesmo um negócio muito interessante, pois os escritores são – muita das vezes – psicólogos de si mesmos.

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