Pra cá das memórias, pra lá de você

Hoje eu voltei a sonhar com você e, pela primeira vez, ficamos juntos. Foi complicado, não nego; até nos confins do meu subconsciente, você é difícil de se conquistar. Mas eu consegui, depois de muito papear e muito demonstrar que valia a pena. Quando ganhei seu primeiro beijo, tive uma sensação única. Sensação da qual, muita das vezes, nem a realidade me proporcionou. Sensação de entrar em uma nave alienígena e não ter ideia da tecnologia disponível ao redor. Entretanto ao ligar um ou dois cabos aleatórios, surpreende-se ao ver tudo acendendo, tudo funcionando, tudo girando e passando a emitir mensagens, certezas, alertas e cores. O seu beijo foi uma ligação direta na programação original do meu destino. De repente tudo ao meu redor passou a fazer sentido, desde as coisas mais tolas, até as mais significativas. Senti que pela primeira vez em muitos anos, estava de fato vivendo a minha vida. Sentia-me completo, por ter você ao lado.

Dançamos uma música, desvendamos idiotices locais, discutíamos Assis esperando a pizza chegar. Perturbamos vizinhos, amigos e conhecidos. Namoramos sobre a luz da lua, dividimos, por incontáveis vezes, nosso frágil calor nas ondas do mar. Tudo era muito lindo e muito limitado. Pena que breve acabou. Num piscar de olhos, no soar do alarme, fui obrigado a desembarcar novamente na realidade.

Só que… e agora? O que faço com as composições que o acaso me trouxe? Elas foram feitas para cantar você. O que faço com as poesias? Com as cartas e pensamentos? Aquela crônica marota descrevendo nossas diferenças casadas? Aquele argumento certeiro que fiquei de usar, descrevendo o poder do seu próprio olhar? Queria fazê-la sorrir, mas você está por ai. Não faz questão de estar aqui, esqueceu-se completamente de mim.

O que é um pesadelo perto da sua ausência? Pesadelos ao menos possuem um fim. Lamentavelmente não vivo dos sonhos que secretamente alimentam minhas únicas alegrias de viver. É difícil aceitar que nem tudo são flores, que nem toda companhia é fácil de ser conquistada e que nem toda tecnologia merece estar ligada.

Mas hoje serei um tanto covarde, deixarei pra trás os pormenores e voltarei a dormir. Desbravarei as memórias até reencontra-la. Tentarei reconquista-la, quem sabe chama-la para dançar, mais uma vez. É notório que os dias frios e chuvosos são inimigos dos solitários. O que os populares não sabem é que ao menos sonhando, eles formam a classe mais feliz e sorridente que o universo já viu…

Um comentário em “Pra cá das memórias, pra lá de você

Adicione o seu

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: