Glory days

02/2017, Toronto. Canadá.

 

Olá minha querida, sinto sua falta.
Peço desculpas pela ausência, não foi fácil encontrar muito tempo livre entre as viagens e o trabalho. Preciso lhe falar de algumas coisas ao meu respeito, partindo do ponto onde havia parado e explicando os motivos pelo qual aparento ser um tanto distante;

Sabe… Eu sempre confundi os meses de Junho e Julho. Sempre! Durante toda minha vida. Não sei quando acaba um, ou quando começa o outro. E isso não ocorre só pelas semelhanças de nomes entre os meses, ocorre porque nesses sessenta dias, normalmente, vivo os melhores dias da minha vida.

Dizem que os seres humanos só refletem sobre a vida quando se sentem mal, ou no mínimo quando há um detalhe ou outro fora do lugar. Quem está numa boa fase, vivendo intensamente, não realiza pausas para reflexões nem mesmo quando vai ao banheiro. Não há tempo pra isso! O prazer de desfrutar os momentos inibe ponderações e cismas diversas. E quando o sujeito — assim como eu — já possui o costume congênito de andar com a cabeça nas nuvens, a situação é ainda mais agravante. Um dos resultados diretos é a despreocupação até mesmo com os dias das semanas e os nomes dos meses.

Recentemente um comercial de TV andou afirmando que a vida é o resultado de todos os nossos anos subtraídos pela rotina. Ou seja, para muita gente, o produto final desse calculo é uma fagulha raríssima de calmaria, dividida em fases variadas de paz e diversão. Dos meses que partilham o meio do ano, eu só guardo as fotografias. Hoje, elas representam uma bomba de prazer, nostalgias e euforias. Entretanto no momento em que as fotos foram tiradas, elas simbolizavam simplesmente uma pequena parte de um todo – de um estágio de júbilo onde todas as coisas do mundo pareciam funcionar e estar no lugar certo. Algo bem diferente do stress que me acompanha atualmente. Exaustão que me faz invejar a minha própria imagem sorridente no lago do acampamento.

Mas… Seja a felicidade desses meses uma mera coincidência, seja ela resultado de algum calculo zoroástrico biruta, de uma coisa tenho certeza: em breve chegará a hora de voltar a sorrir outra vez. Com ela virá minhas férias e com as férias, o recomeço das emoções. Que a alegria transborde ao ponto de me fazer esquecer do calendário novamente.

Se viver a vida é estar ocupado o bastante para não ter tempo de refletir sobre ela, então não espere nenhuma carta minha nos próximos meses, cara amiga.

Aliás, pra ser sincero, creia que seu amigo estará mais do que bem em todas as vezes que ele estiver em silêncio.

Quando ele fala demais, é porque o espirito da fadiga está anda ao redor, o que significa mais cartas na sua caixa de correio…

 

Abraços!

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