Catarina

Catarina tem muitos medos, devido a essas fobias ela vai ao psiquiatra toda quinta.
Ela tem receio que os dias passem em branco, assim,  frequentemente passa a noite planejando rotinas. Ela também sente medo do que pensam dela, conhecidos e desconhecidos, por isso está sempre sozinha. E ainda não vai ao cinema, ela teme um possível ataque terrorista. Além de sentir  medo de piscina, embora não tenha talassofobia.

Ela não gosta de elevadores, são quadrados, pequenos e apertados, lugares extremamente fechados a deixam apavorada. Catarina tem medo do agora,  tem uma reação um tanto quando esquizofrênica quando a sua  hora de agir, de falar, ou de sentir está se aproximando, daí,  ela sente um estranho prazer quando coisas importantes são canceladas, mesmo que isso signifique que algo deu errado. Ela sente medo do passado, do presente e do futuro, por isso tem tudo planejado e escrito em uma cadernetinha de folha reciclável, mas tantas coisas escritas a atordoam, isso  faz com que ela tente fazer tudo de uma só vez, então, ela não conclui nada.

Ela parou de  tomar os remédios, após ter  analisado a possibilidade de sofrer uma overdose: “Já que Paracetamol mata, que dirá Zolpidem Actavis?”. Tudo só piorou depois que  começou a ler os efeitos adversos dos medicamentos. Estava decidido, todo dia tiraria a quantidade diária das cartelas e os jogaria na pia.

Catarina acredita em seus instintos, por causa disso não sai de casa em dias de chuva calma, pois sonhou que em um dia como esses foi atropelada por um caminhão. Catarina tem medo de motos, de assaltos, de incêndios em redes elétricas, de briga, de gritos e qualquer outro tipo de  barulho. Catarina, tem medo do mundo.

Na infância, era de praxe ela olhar quem chegava em sua casa por uma fenda na janela, quando as pessoas se aproximavam ela se escondia, alguns brincavam de olha-la do lado de fora, Cati sorria. Bom, ela continua sendo aquela menina  olhando por uma fresta, dessa vez quem chega é o mundo, ela fecha os olhos, quando os abre o mundo ainda a olha, ela não entende  o motivo do mundo olha-la com olhos tão maus.

Enquanto esses medos a impedem de viver, ela procura ter uma existência simples e tranquila. Passa algum tempo olhando de qual cidade são os carros, por isso está sempre atenta as placas. Gosta sobretudo de contar quantas vezes o moço de uniforme amarelo passa, e  os miados de seu gato. Ela acha uma tanto quanto louco como ele gosta de subir a noite em cima dos moveis e miar escandalosamente. Ela gosta de ouvi-lo.

Catarina, voltou a tomar os remédios e agora tudo parece estar bem. Tomou alguns comprimidos a mais, talvez… E embora  a música que toca seja  “copo d’ agua”,  o que aparenta estar  tocando é jazz. Ela gosta de jazz, mas a música nunca acaba. O moço de uniforme amarelo passou preocupado muitas vezes a sua frente. As letras das placas dos carros estão um tanto quanto embaralhadas. O seu cérebro  está em  um êxtase beatífico, uma fumaça bonina colore o mundo. Sua mente está anestesiada e o seu corpo adormece. Cores  profundas vão e vem dos seus olhos de forma latente. As cores se misturam . A junção das cores forma o branco. Enfim a música para. Restou-se o branco e o silêncio.

Catarina tomou remédios demais.

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