Recaída

Era como uma uma tempestade de verão: o dia absurdamente quente, então cai um temporal. Uma calmaria precede a chuva, na terra, as gotas caem abafando a poeira, sobe do solo um cheiro bom… É terra molhada. Está tudo fresco, a chuva depois de um tempo se acalma e pode-se deitar na rede da varanda, mas os tempos não estão sendo fáceis, e talvez no outro dia o calor ainda seja tão forte que seque todas a minúsculas gotinhas que se acomodam nas folhas das  árvores e se desprendem com o vento.

A muita intensidade dentro de mim, e eu não consigo conte-la, algo tão forte e vivo que absorve as minhas forças. E você parece ser a minha tempestade de verão, na minha tristeza as vezes aparece, e é tão forte o seu olhar como um temporal, eu poderia olhar para seu rosto sem perceber o passar horas. Anotaria em um papel metodicamente cada uma das suas características, eu tentaria ler a sua alma, interpretar os seus passos. Eu queria que você me amasse, mas se não me ama, não tem mais graça. Não tem mais significado todas as boas lembranças se o amor de outra pessoa pode ser maior que o meu.

Veio-me como chuva em dia quente, como esperança em meio a um enorme revés  . Não sou a única que se perdeu olhando o seu rosto de lado, muitas entraram em seu mar e se afogaram, eu talvez seja a única que tenha chegado ao cais antes que a sua profundidade roubasse todo o oxigênio. Não diga mais o nome dela, não daquela forma, tentando me provar que ela significa mais que eu. Não me machuque, não agora, porque eu não estou bem. Estou presa a uma tragédia recente, venho submergindo e sendo atirada a água novamente. Estou sendo atacada por um “eu” desconhecido, estou tentado fugir, mas estranhamente dessa vez sinto-me fraca. Meu físico esta esgotado, parece ser uma doença, sinto-me mal, amor, mas você não pode ver isso.

Ontem estava tudo bem, disfarcei todas os rasgados com retalhos, remendei a mim mesma com pedaços de panos novos, alguns rasgos foram encobertos com tecidos velhos que guardei dentro de mim cheia de esperança. Porém, agora consigo ver que acabou. Acabou e ao mesmo tempo parece ter iniciado algo antigo. Temo a volta do passado, sinto uma nova dor, mas parece-me ser a mesma de tempos atrás, porém mais forte, mais aperfeiçoada. Uma Melancolia tão densa que me sucumbe. Está tudo dando errado. Gostaria que você viesse me ver, aqui, nesse hospital psiquiátrico.

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