É falta “daquilo”

Vocês já repararam que praticamente todas as pessoas que vivem militando e dizendo por ai que “namoro é pra casar” ou que “o certo é esperar que a pessoa certa apareça “, estão solteiras? Melhor dizendo: estão solteironas! Quase fazendo carreira na solidão. E a coisa ainda piora! Com todo respeito a generalização, é claro, mas todos os sujeitos e sujeitas que conheço e que se enquadram neste perfil, acumulam centenas de casos fracassados no histórico pessoal. Você, amado leitor, certamente possui uma leva dessa gente distribuída entre os amigos do Facebook. Perca alguns minutos consultando o curriculum de cada uma delas e veja por si só, um pouco do óbvio.

Os motivos e os culpados disso possuem muitos nomes. Esse comportamento vai desde a inexperiência com companheiros, até correntes religiosas oficiais. Entretanto, para todos os casos, uma coisa é mais do que certa: a menos que você possua um bom Pai de Santo (desses que manipulam até mesmo a mente alheia), entenda de uma vez por todas: é impossível fazer com que outro ser humano se enquadre e se encaixe perfeitamente a você, como numa peça de Lego. Sempre haverá diferenças, desavenças e prováveis brigas. E para a surpresa de muitos, não há nada de anormal nisso. Discussões, intrigas, acordos, superações… Essas coisas fazem parte de um todo popularmente conhecido como: relacionamento. É como num tribunal democrático, só que na maioria das vezes (com total consentimento masculino) o voto feminino tem peso triplo nas decisões.

Não existe essa história de “pessoa certa”. Quem em sã consciência é capaz de encontrar alguém nos corredores do shopping, na praia, no parque, ou na esquina de casa e decidir ali, de imediato, que aquela é a companhia ideal para toda vida? Futuros casamentos não nascem nos pedidos de namoros, nascem dos resultados apresentados no decorrer dos namoros. Namorou, conheceu, se adaptou, gostou? Então se case! Do contrário, arrume outra companhia. É assim que a vida funciona. Cruzar os braços e esperar pela perfeição é pedir para acumular teias de aranhas entre as pernas.

Manter uma relação duradoura é aprender a criar as próprias peças de Lego, é lapidar o próprio diamante. A convivência diária, o costume com as manias do cônjuge, a maestria de saber o momento exato para pedir e a hora certa de ceder, são atividades que evoluem com o tempo e elevam o relacionamento para o tal estágio de harmonia que muitos jovens esperam de mãos beijadas. Dividir os momentos felizes, partilhar da força na tristeza, da fé na doença e do júbilo nas vitórias, são experiências mútuas que demandam algumas décadas, algumas rugas. Elas definem a força da união presente no casal, o poder e o limite do amor. Aspectos que precisam de muito tempo e exigem dos participantes uma aposta inicial, é claro, além de muita confiança e um grau de insistência que extrapole o nível da razão. Do contrário a união não sobrevive. Decerto é bem mais fácil sentar e esperar que isso tudo caia do céu.

Quem não está a fim de se esforçar, de suar a camisa, desiste no meio do caminho. Quem é craque em desistência, acumula relações fracassadas. Quem falhou em todos os namoros que teve durante a vida, prefere esperar um milagre. Quem espera por um milagre, sente o poder do tédio quando percebe que a “benção” não chega. Com isso, começa a julgar a alegria de outrem, por adquirirem o que não se conseguiu. Em resumo, temos um conjunto de pessoas depressivas e fracassadas permeando a time line alheia, com seus posts repletos de falsas modéstias e frases baratas de perseverança.

Os homens nesse quadro se tornam ainda mais chatos, compartilhando idiotices para elevar a própria masculinidade fragilizada. As mulheres costumam se isolar, cercando a si mesmas de dificuldades e bloqueios capazes de causar inveja a Dragão de guarda da Princesa Fiona.

Como já diz aquela velha, querida e amada frase da Internet: se organizar direitinho, todo mundo transa. Todavia no mundo atual, escrever textões criticando as relações dá muitos likes. Gozar, em contrapartida, não se compartilha. Quando tudo se resume a este jogo de escolhas, nem é preciso destacar qual é a preferência da nossa amada geração da tecnologia e conhecimento…

3 comentários em “É falta “daquilo”

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