Pão de queijo no pacote de papel

“O que eu fiz quando você se foi?” diariamente me pergunto isso, enquanto bebo lentamente aquele vinho barato. É feio, eu sei. Ele me condenaria por isso, mas entenda, ele não é a pessoa mais fácil de ser esquecida. E por mais que eu tente dizer tudo que sinto e quero, essas lágrimas falam muito mais do que eu consiga expressar com palavras. Já se passaram 3 anos, e isso é tempo demais… tempo demais para ficar longe da única pessoa que você conseguiu amar em toda a sua vida. A única pessoa.

Já até perdi a conta das vezes em que me escondi atrás do seu ser, porque há algo em sua volta que protege quem está ao seu redor. Uma espécie de aura protetora, que faz com que o rapaz desastrado se torne um herói capaz de salvar o mundo. E enquanto ele salva o mundo, eu luto até hoje para conseguir a minha própria salvação.    

Ele não teria orgulho de quem eu fui  semanas atrás, talvez me olharia mais uma vez com aquele olhar que eu sei que é um mau sinal, mas nunca consegui decifrar. Para falar a verdade, ele não teria orgulho de quem eu fui ontem. Não teria orgulho das palavras que andei falando, nem de mim em um todo. Eu e os meus sonhos, ele e os seus sonhos maravilhosamente diferentes. Eu e as minhas incertezas, ele e a sua coragem.

Há pouco tempo até pensei que os Céus conspiravam ao meu favor, me levaram para mais perto  dele, mas eu o vi partir mais uma vez, e mais outra e outra. Já aprendi: É de praxe ele sair da minha vida! Vou até deixar a porta aberta, para que ele não tenha o trabalho de abri-la novamente. Se por acaso, ele for passar por ela…

A vida não deveria fazer isso com uma mulher que cresceu lendo contos de fadas, aliás, com alguém que cresceu escrevendo seus próprios contos de fadas. Minhas heroínas sempre fugiram quando deveriam tomar decisões importantes: Branca de Neve comeu a maçã e desmaiou, acordar não dependeria dela;  Cinderela fugiu do baile, encontrar o amor da sua vida dependeria apenas do amor da sua vida; Nina, a lagartixa, se apaixonou e se escondeu debaixo do Comigo-Ninguém-Pode. Na vida real não é assim, eu me culpo diariamente, porque a culpa e a responsabilidade de fazer diferente é exclusivamente minha, mas tudo que eu queria é que a metade daquela abóbora que está dentro da geladeira, se transformasse em uma carruagem e me levasse para mais perto do amor da minha vida.

A vida não deveria fazer isso com alguém que chora ouvindo Adele…

Eu estava feliz, muito feliz. Sentada com a minha calça clara e usando a tiara da minha irmã. O vi chegar de sandálias, e uma calça desbotada. Faz anos isso, mas eu me lembro que a sua blusa era branca e tinha um versículo escrito atrás. Não é à toa que devolvi lentamente o pão de queijo para o  pacote de papel. O menino bom exemplo estava na minha frente, mais uma vez agindo como se fosse o personagem de um filme  romântico e dramático. Parou em frente a porta de vidro envergonhado.

“Cuidado para não esquecer de abrir a porta!”, “Cuidado para não responder o seu nome quando te perguntam outra coisa!”, “Cuidado amor, para não pisar com muita força porque esse piso faz muito barulho!”. Cuidado ao olhar para trás, aliás, olhe para trás mais uma vez e molhe os dedos para passar as páginas dos livros, passe as mão nos cabelos e corte-os bem baixo para demorar precisar cortar novamente… Como você é incrível! Faça o ritual de ser você onde estiver, e sempre lembre de comer pão de queijo no café.

Se ele andava aquilo parecia extremamente impressionante, eu nunca conheci ninguém como ele…

E eu tinha 16 anos, agora eu tenho 19. Ele veio e se foi algumas vezes neste tempo . Eu sempre temi, e  tenho muito mais medo agora, porque eu sei que ele um  dia pode ir para sempre… E eu não ponderei fazer nada. Então eu gostaria de dizer aqui, que a única coisa que eu fiz quando você foi, foi escrever para você. Sempre para você.

Eu precisaria da minha vida inteira para te esquecer
E de uma eternidade para amar outra vez
A grande verdade é que não sei viver sem você
E tudo que fiz quando você se foi
Foi te amar ainda mais
Foi escrever para você..

-Andrea A. Gonçalves

5 comentários em “Pão de queijo no pacote de papel

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