Lastimável Sensatez

Todo sábio está condenado! A sabedoria não é uma dádiva, é uma maldição. Dádiva, talvez, se resuma a faculdade de ser tolo. O tolo é feliz na satisfação de seus instintos, na realização dos desejos mais simplórios, como um copo de cerveja. O sábio por outro lado, questiona! E boa parte das respostas no decorrer da vida humana carregam consigo sua parcela de infelicidade.

Questionar tudo, aprender muito e quanto mais compreender, menos entender porque tanto dão valor a brincadeira de viver. É um dos muitos comportamentos dos sábios. Quanto maior a sabedoria, maior a percepção de que há pouca coisa de valor nesse mundo. Quase tudo é um rascunho dum resumo de promiscuidades e vaidades.

Por isso os sábios buscam o transcendental, cada qual de acordo com sua cultura, ciência ou religião. Pois eles esperam um plano de existência no cosmos que possua um significado superior ao da vida humana.

Este é o fruto dado a Eva – o saber. “Serás como Deus, mulher!“, prometeu a serpente. Ou seja; poderás (assim como Ele), perceber o quanto tudo isso é insignificante e vazio. A serpente “se esqueceu” apenas de citar que, para isso, Eva precisaria andar sob a ótica do pecado pelo resto de seus dias. Acredito que as linhas miúdas desse contrato entre espécies, diziam: “Receba um coração niilista e agora se esforce para buscar um sentido válido por trás de tantos sorrisos. Se esforce para entender o que é a felicidade e do que vale a pena viver, sabendo que tudo ao seu redor é um punhado do enorme e mais complexo vazio”.

E mesmo sendo a sabedoria o maior de todos os males, ela se manifesta durante boa parte dos ensejos, como um espirito hibrido que lança os corações dos sábios numa torrente de paradoxos intermináveis. Dado que, mesmo sendo maldição, ela é também a única faculdade da qual vale lutar com a própria vida para se obter. Quando finalmente se obtêm, percebe-se, dentre tantas coisas, a nossa incapacidade como raça, de nada poder perceber.

Por isso, compreender o significado da existência é aceitar o fato de que ela não possui significado algum.

Mesmo depois de tantos séculos, preservar os sentimentos mais puros e viver na luta contra os próprios impulsos na esperança de obter, como resultado, uma elevação de consciência ao ponto de alcançar a libertação de todas as garras da fatuidade é a melhor das ideias. Quiçá o caminho exclusivo para resolução da charada subsistêncial.

Todavia absorver este raciocínio e trabalhar nesta concepção, é um trabalho que só pertence aos sábios.

E deles então, o que se entende?
Privilégio ou maldição?

Quem sabe? Quem se importa?

Enquanto isso, os tolos pedem mais uma rodada de Gelada…

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7 comentários em “Lastimável Sensatez

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  1. “Quanto maior a sabedoria, maior a percepção de que há pouca coisa de valor nesse mundo. Quase tudo é um rascunho dum resumo de promiscuidades e vaidades.”

    Olhe Leonardo, terei que ler seus textos com maior atenção ( em portugal é hora de trabalho ;)) , porque eles são de uma verdade desoladora-mente actual, com a qual, eu concordo em pleno, e não pude, mais uma vez, deixar de transcrever as suas linhas sábias, que creio “luta” por mais saber , e, mais do que quer não tem, a tolice, mas a sabedoria está paredes meias com os tolos, porque são eles que fazem avançar a história, deste e outros tempos…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigado pelo carinho. Seja bem vinda Albertina, todos os pontos de vista são de extrema importância para mim.
      Ah! sua rotina de trabalho não é muito diferente da brasileira 🙂 hahaha.
      Beijos

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