A maldição do Sr. Capital

Sentado no meu trono, saboreio todas as notícias com um olhar esperança ao próximo e ao mundo. Isso não esconde o fato de que lá no fundo, estou mentindo para mim mesmo. Se a existência for um teatro, eu sou o escravo que disfarça a omissão de suas verdadeiras ideias, dos verdadeiros sentimentos.

Aperto suas mãos, lhe presenteio com um sorriso. Digo-lhe palavras bonitas, dou-lhe memórias impactantes. O que não quer dizer que compartilhamos, essencialmente, a mesma felicidade, ou que deverás compartilharemos um dia. Na verdade o que faço, pouco significa. O que sou, talvez, realmente importe, enquanto o ato de “importar” quitar o preço de minha pessoa.

Contudo… depois de todos os eventos, devaneios, tormentos e fracassos, já não me importo mais. E nem mesmo sei se algum dia dei verdadeira relevância a tudo aquilo que outrora me fez bem. “Paz de espírito” é, no meu mundo, uma propaganda religiosa. Uma legenda de cartaz terapêutico. A paz é a lenha necessária para se obter riquezas. Quanto mais poder, pouco dela sobra. Quanta lenha devo ter gastado então, se minha fogueira não possui limites, fronteiras, raças, larguras ou intensidades?

Qual é o preço da sua terra? Certamente aquele que sabe a resposta, sabe também que lugar algum concede o amor de um verdadeiro abraço. Sento-me ao seu lado, questiono suas fraquezas; exponho ideias de um futuro melhor. Não para mim mesmo, não para os meus, mas no intuito de persuadi-lo e fazê-lo lutar por um amanhã onde você e teus descendentes, construam um lugar para habitar sem se preocupar com sujeitos da minha laia.

Posso comprar sua casa, posso barganhar sua alma, mas não posso merecer você, ao menos que já estejas enfeitiçado por tudo aquilo que a luxúria do meu reino é capaz de dar. A minha vida é um exemplo para os derrotados, minhas obras são migalhas que saciam a ganância. Coitado sou! Vazio estou! Como blasfemam por aí que todos do meu nível devem ser. Um coração insaciável e sem compaixão, escondido por trás do ouro e da prata. Fuja de meus domínios, ou assuma a posição de subordinado burguês. Dissolva meu enfadonho destino ou permita que a maldição recomece em você mesmo, mais uma vez.

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