The last letter

 

Olá.

Não foi fácil voltar a lhe escrever, então peço que apenas leia essa carta quando de fato estiver com tempo disponível para ela. Mas… caso tenha concluído que as minhas palavras não possuem mais relevância, por favor, não perca seu tempo! Lance tudo ao fogo, na primeira chance que vier.
De qualquer modo, precisarei desabafar sobre algumas coisas e deixar atestado o máximo de sinceridade que ainda resta na minha memória. Não importa se os frutos disso terminarão na sua mente ou no calor das chamas. Atualmente, vejo pouca diferença.

Aprendi no decorrer da vida que, como água e óleo, a saudade e o ódio não se misturam. Invariavelmente, isso não esconde o fato de que mesmo independentes, eles podem dividir os mesmos recipientes. Visualmente falando, há pouco do que destacar. Misture os elementos no jarro, chacoalhe, vibre e enlouqueça… faça uma ciranda! dessas cujo os envolvidos aparentemente dividem perfis similares. Todavia basta esperar as águas acalmarem, dando um pouco de tempo ao tempo, e logo verás as diferenças alocadas nos devidos lugares. Água sendo água, óleo sendo óleo. Há matérias independentes disputando o mesmo local, sentimentos da mesma cor, imperceptíveis ao grande público.

Quando a metáfora decide que o coração é esse barril de elementos distintos, a vida daqueles que lhes carregam está fadada a confusão. Eu me afundei, encharcado e eloquente, numa mistura de sensações ocasionais carregadas pelos desastres, falhas e medos. A cada grito, soco, lágrima ou ato, já não era mais capaz de perceber se insistia porque lhe amava e queria tudo de volta, ou se fazia porque lhe odiava e não sabia esquece-la. Cada decisão tomada era um disparo de consciência, enlevos de esperança. Contudo, todas as coisas que almejava eram como formas no céu – animais moldados pela junção de nuvens. Bastava levantar, reagir e pôr a fé em prática, que logo as formas perdiam seu foco e as nuvens criavam imagens diferentes. O destino sempre fez questão de nos separar. Eu apenas cumpri o papel de rebelde contra o inevitável.

Sei que confundi muitas coisas no decorrer da nossa história; te mandei embora quando deveria ficar e decidi ficar, quando era meu dever ir embora. Durante anos, olhei para as nossas fotos e visualizei nossas histórias sem saber se viver ao seu lado foi uma dádiva, ou fonte de arrependimento. Agora, não existem mais motivos que me façam voltar a pensar na ideia de tê-la por perto. E dos eventos existentes no meu coração, por ora, sei que a cada batida cresce o poderio das tempestades interiores, numa mistura que extrai das lembranças elementos intrínsecos e contraditórios.

Nesse mar de sensações, não sei reconhecer as coisas que vejo. Se lhe tenho raiva, se te quero por perto… nada sei! E das listas de conclusões, só o tempo irá dizer. Não sei se os dias de calmaria separarão a raiva do desejo, ou aglomerarão todas as coisas.

A probabilidade de tudo isso estar nas cinzas agora, é proporcional a expectativa de que tudo um dia irá mudar. Por isso acho que no fim, água ou óleo, pouco importa. Enquanto as confusões permanecerem ao lado, a vida continuará sem resultados…

August/2016

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