Diário de bordo #1

A série: “Diário de bordo“, será uma coleção de rascunhos pessoais que trabalham a angústia.

Dizem que as fagulhas sentimentais são como espinhos que invadem a memória sem pedir permissão. Cacos com barulho de vidro e tão fortes quanto diamantes, que desmoronam a psique enquanto houver por ela qualquer resquício de um doloroso combustível chamado: saudade.

As maiores histórias de vida existentes mundo não são de pessoas ricas ou pobres, são das pessoas que possuem ou possuíam almas gloriosas e espíritos gigantes, independentemente das classes sociais. Gente que sempre deu a cara a tapa, que não se importa em se queimar no sol, se molhar na chuva ou receber uma resposta negativa nos momentos onde foram depositados todas as expectativas possíveis.

Pessoas desse nível deixam muitas marcas, mas também carregam as suas. Marcas que cortam o presente e ficam desenhadas no passado. “Superar” é ter sempre um curativo por trás de cada história/atitude/compromisso e relacionamento vivido.

Num de seus rabiscos mais famosos, Quintana disse que “a saudade é o que faz as coisas pararem no tempo“. É irônico o fato de que as pessoas que possuem mais histórias pra contar, são também as que mais continuam travadas num contexto atemporal. Na linha tênue entre os carnavais e atribulações da vida, assistindo as coisas “parando no tempo“; como espinhos flutuando no ar.

A conclusão é de que a saudade vigente não domina corações. Ela só está ao lado, o tempo todo, aguardando… são memórias pausadas no momento em que se optou pelo “adeus“. As fagulhas sentimentais não invadem a cabeça sem pedir permissão, a velha verdade é que, inconscientemente, pegamos o controle e damos um “play” – libertando da pausa as histórias desenhadas em fragmentos de navalhas que invadem o ser, revirando tudo aquilo que teoricamente já se foi.

A responsabilidade por sentir (saudade) sempre foi pessoal. Tão grande quanto a de construir (saudade). E de todas as verdades afiadas e congeladas no tempo, essa certamente é aquela da qual qualquer um, tendo um espírito nobre ou não, faria de tudo pra esquecer…

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