Bullet Time

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Para alguns azarados a vida é uma sistemática violenta que independe das decisões pessoais para gerar catástrofes. Desde a infância, os problemas surgem automaticamente, sem pedir permissão. Como se fosse um dever pessoal considera-los naturais. E pra variar, por outro lado, as oportunidades de paz, esperança e harmonia precisam ser disputadas na unha, como se fossem uma dádiva, ou um conjunto de momentos e sentimentos nativos de outra espécie.

O tempo corre, os olhos não veem… azarados estão naufragados demais para somar eventos. Os lugares, as idades, os episódios se transformam, vagarosamente ligeiros, enquanto o mundo gira e as falhas acontecem, muitas das vezes sem ter pra quem apelar ou forças pra conseguir resolver.

As chances de alegria são dosadas e catalogadas, como se fossem pílulas de insistência – comprimidos de um mal necessário para que ninguém desista dessa teimosa brincadeira de viver. É como se um mês, uma noite, ou uma estação de sorrisos fossem uma espécie de pólvora, bem compactada e encaixada numa única bala; a bala da felicidade. O destino é traduzido na imagem de um revólver de bom calibre. E durante o tempo em que o azarado chora e clama, largado na escuridão dos dias, lá no fundo, é possível ouvir os sons dos estalos dados pela pistola que, com o cano colado na cabeça, insiste em brincar de roleta russa.

A torcida é para que a bala de felicidade rasgue de uma vez o crânio, a torcida é pela libertação final de um universo físico incolor. Enquanto a roleta gira e o tiro não sai, a vida se resume ao completo marasmo, a esperar sem alcançar, ao ouvir e não receber. Quem sabe um êxtase emocional, uma pausa na matrix, carregue a alma para uma vibe melhor.

Carregando para um contexto, uma história, um lugar… sim! Um lugar. Onde os fatos se realizam na única e exclusiva base da vontade. Sem dedos ou fatores externos dessa sociedade capaz de coibir a liberdade alheia.

Será uma utopia? Talvez. Todavia, enquanto nada se transforma e o tudo não se realiza, ainda é possível ouvir, a todo momento, o giro da roleta e a falsa conclusão do gatilho mudo…

Um viva ao marasmo! E seu eterno ciclo de azar.

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