Chá De Tangerina

E pensar que podia ter sido uma história de amor. E ela o amava!
No peito, agora, angústia e dor, embora antes, uma felicidade cor verde alaranjada, como chá de tangerina, ali reinava.

Como era de se esperar, aqui na Terra, nada é eterno. Tudo é tão passageiro… Vem e logo vai, como balanço de criança, como os metrôs…

Tudo é tão efêmero como a paixão, como as estações do ano, que vão e logo voltam, ou como o ontem, que vai para o nunca mais.

E do passageiro, não se pode exigir o eterno; e como as estações, as vezes, o passado emerge, doentio e nervoso, ou em brisa leve, inútil, ilusório, para passar o tempo, ou levar para o resto da vida, para depois se acabar junto dela, e se repartir, e sumir, em meio a cortina negra dos olhos que se fecham, e acabam, acabam junto com a vida. Morre. E se desfaz. E ninguém se lembra mais, e se por acaso lembrar,  fazer o quê? Acabou, não é? O que se pode questionar após a ausência de vida?

Para ela, agora a vida parecia sem graça e assustadora. E via ao longe a felicidade, tão feminina e atraente, com seus olhos de ébano, astutos, e  que refletem singularidade e bondade, resplandecer em meio ao mundo branco que a cercava. E ela queria cor! E tentava colorir, de marrom e verde musgo. De preto e Branco. E para o céu, um lindo entardecer alaranjado.

E ele…  ele? Deixa pra lá!

Quem sabe onde está? E o que pensa? O que faz? Sei lá…

Saiu assim, à francesa, sem mais, mas com  menos amor, menos paz… Talvez tenha ido para ao “jamais”, e jamais voltará a dizer, ou a ficar. Puxar a cadeira, tomar chá de tangerina e sentar. Mas a física havia alertado, de comum  era somente a data de aniversário.

Ele era o verão, ela o inverno, ele era o sol e ela o sereno. E 25 é ímpar, e 26 é par… Embora tudo seja em maio, deveria salientar.

Mas não salientou, gostou e deixou  crescer, crescer e crescer…

E cresceu… Cresceu tanto que não coube dentro dela. E amou.

Porém, como tudo passa, um dia passou, mas, sem querer de vez em quando abre caminho, nas profundezas de alguma coisa, de alguma dúvida, e surgi simpático e doce, tão alegre e sonhador, aquele sentimento a inunda, a contorce, e ela se lembra e sente saudade.

Sua paixão que permaneceu oculta, brotou com toda força ao não encontrá-lo mais lá.

Fugir do amor, agora era tarde demais, deveria ter o feito há uma semana atrás, agora estava tomada por esse amor esperançoso que alimentou, e criou dentro de si, como um filho gerado em seu ventre, e que após nascer,  se alimenta de seu leite, ligados pelo mesmo sangue; porém ao crescer, ele se torna caprichoso e rebelde, quer sair ao mundo e voar, mas ela,  como mãe, não o deixa de amar, pois ele faz parte dela.

E esse amor a obriga a sofrer, a lamentar-se, culpar-se, e  ocupa  parte de seu tempo, nas aulas da faculdade, enquanto come ou se diverte, ela sofre, esperando ansiosa o próximo ano, onde espera finalmente esquece-lo.

Esperava assim, esperava apenas, havia desistido dessa bobagem de adivinhar o futuro, o futuro nem estava pronto. Estava em construção e se dependesse dela, escolheria ouvir dele mais uma vez, pedindo permissão para construi-lo junto com ela. E dessa vez, ela seria sincera.

Pois é, a felicidade esteve tão próxima e realizável, ao passo que, agora, já não é possível fazê-la voltar…

Entretanto, ela seguia a sua vida, sua rotina, o script permanecia o mesmo, apenas um personagem se ausentou, por acaso, ele era o personagem principal da história, mas e daí? Ninguém soube, ninguém notou…

2 comentários em “Chá De Tangerina

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