Codinome: Duda

Peço perdão aos pais, professores, livros de autoajuda e aos amigos conselheiros de forma geral, pois, infelizmente, apesar das lindas, confortantes e inteligentes palavras e suas teorias, existem lições da vida que são absorvidas apenas na prática. Às vezes de maneira doce, as vezes salgada. Nesse caso em especial, tive que sentir na pele o que nenhum grau de temperança foi capaz de deter: aprendi, pelo método mais doloroso, que a saudade é um sentimento que por si só já machuca. Contudo costuma doer ainda mais quando se sente a falta daqueles que amamos… aliás, depois de certas experiências vividas, conclui que só existem estilhaços de saudade – no sentido cru da coisa – nos corações em que, outrora, predominou o amor.

Eu não pedi para conhecer você, mas você apareceu. Não pedi para que se aproximasse, ficasse e planejasse comigo, mas você não hesitou. Não lhe pedi para elogiar os meus gostos, meus desejos e sonhos, muito menos compactuar com todos eles, sem exceção de nenhum. Todavia você naturalmente sorria e fazia, como se houvesse nascido para tal. Nos encaixávamos como peças perfeitas. E as histórias, os fatos, as verdades, se revelavam de jeitos coordenados, como numa orquestra bem treinada -, dá-lhe nosso próprio gosto musical, que coexistiam como almas sonoras.

Só que então, você desapareceu. Simples assim. Não teve carta, não teve indireta. Nem houve um “adeus“, ou qualquer outro símbolo infantil de despedida. Você apenas me deixou, como quem abandona um objeto ou um animal ferido. De que vale títulos e palavras se na realidade, lhe faltou coragem para me assegurar como amigo?

E pra variar, sonhei com teu olhar na noite passada. No sonho, caminhava por todos os lados, desvendando ruas e avenidas numa síndrome frenética causada pela busca de sua companhia. Até que falhei na missão e não consegui encontrá-la. Durante o transe, logo após as sessões imaginárias repletas de perigos, devaneios e perdas de tempo, tive um lapso de memória ao perceber que o problema não estava na minha incapacidade de acha-la e sim no fato de que você – seja lá onde estivesse – não queria ser encontrada.

Circunstância que deveria ser um susto e assim o seria, se o pesadelo não passasse de um mero espelho de tudo aquilo que já ocorria na vida real. O tempo me ensinou a parar de procurar culpados, coisa que nenhuma teoria seria capaz de esclarecer.

Aprendi na prática a necessidade emergencial de esquece-la. Até meus sonhos simularam uma versão literal disso – a saudade que tinha noutrotempo, era apenas a gordura disponível a queima, fruto de todo sentimento que há tempos dediquei a você. Entretanto, agora que ela foi queimada, as memórias, a fumaça, se dissipa como fruto da angustia que finalmente se extinguiu.

É só praticando que se aprende o peso de buscar o valor duma grande amizade e não ser correspondido. Praticando aprendi que enquanto um sentimento não for correspondido, de nada vale os esforços. É mais fácil esquecer e remodelar todo o mundo donde antes reinava a saudade num novo universo de recomeços, superações e indiferenças…

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