James

 

James manca um pouco, mas o seu coração está inteiro. Costurado, porém com todas as partes em seu devido lugar.

Sozinho ele caminha pela calçada, lançando os braços para frente e para trás, e olha para o céu  com seus olhos estranhamente brilhantes.

O brilho de seus olhos se encontram com o céu, seus olhos viram estrelas, e James vira céu…

Sozinho ele chega em casa e joga as chaves do carro no sofá, logo chega e logo vai lavar o seu uniforme amarelo.

Toma banho e se estira no sofá para assistir o jornal. E o mundo gira. Lá fora a vida acontece, e lá dentro, James vive (ou sobrevive) a monotonia de cada dia de sua vida. Por minutos seus olhos  se desconcentram  da notícia e ele olha o calendário.

James, tinha a mania de prender o calendário na parede, e agora o calendário preso, solta a tirania de que era 10 de fevereiro, o dia de seu aniversário.

“32 anos”  -Ele pronuncia mentalmente.

“32 anos” -Seus lábios pronunciam sem som.

Sozinho, começa a planejar bobagens, queria de alguma forma comemorar, mas não sentia vontade. Não tinha nada com que se alegrar,  além de sua poltrona de couro, que ele não se sentava para não estragar.

“James era um teorema, mas muito simples para as pessoas perderem o seu tempo resolvendo”– Ele mesmo escreveu essa frase na sua caderneta de controle de finanças.

Em determinado momento, ele se levantou e foi até a cozinha. Parou. Pensou. E pegou uma faca…

Em seguida, abriu a geladeira e cortou um  pedaço de torta de bombom, cujo as castanhas, lembravam ela.

“A culpada”– Ele diz enfiando brutalmente o garfo na inocente torta.

James, ainda a amava. Ela nunca o amou.

A moça bonita que morava no apartamento ao lado. Já se passaram quatro anos desde o dia em que ele planejou tudo.

Iria dize-la que a amava, mas teria de ser em uma Sexta-feira, para poderem sair no sábado, preferencialmente, em uma sexta feira 6, porque esse era o seu número da sorte.

Enfim, uma Quinta feira 5.

A moça, chega cheia de sacolas, James poderia  oferecer-se para ajudá-la, porém, considerava tudo uma armadilha, a quinta feira 5, queria apenas tirar a sorte da sua esperada sexta-feira 6, pois sabia que diante dela, ele não suportaria e confessaria todo o seu amor. “5” não era o seu número da sorte. Estava decidido, ele esperaria até o dia seguinte.

Na sexta-feira, eis que estava um aviso na porta do apartamento Nº 5, onde ela morava: “Aluga-se”.

Sozinho, ele voltou para casa. E fez o fez por durante todos os anos que se seguiram: Jogou as chaves no sofá e lavou o seu uniforme amarelo.

13 comentários em “James

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