O depoimento de um ex ególatra

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“Me partiram em dois, e procuro agora o que é minha metade” – Sete cidades : Legião Urbana 

 

Eu achei que meu amor era perfeito. Não por hipérbole, não por arrogância,  mas por não dar conta do que estava andando no meu peito. “Isso é grande demais pra ser meu“, achava. Afinal, nunca alimentei expectativas e nem mesmo trabalhei com sentimentos. Mesmo assim, o amor surgiu! Lindo, impactante e de lugar nenhum. Deu-me forças nos momentos imprevisíveis e necessários, não tive escolha a não ser me render e endeusa-lo.

E… daquele ponto em diante, como trabalha-lo? Como confessa-lo? Como “fazer acontecer”? Incógnitas que jamais foram vencidas… “Sou um dos maiores pecadores e não mereço um amor puro “, confessei uma vez ao espelho. Todavia, a causa/efeito deixava a lógica no chinelo. Pois bastava ela passar… ao observa-la minha alma era lavada por cada uma (eu disse: “cada”) das fortes e simples batidas do coração. Isso era um martírio! Principalmente pra quem se negava acreditar que ainda possuía utilidade dentro do peito. “Eu não amo ninguém!“, mentia. Hoje percebo que muitas vezes tentei ignorar, contudo a linha é tênue entre ignorância e realidade. Em alguns casos, a linha sequer existe. Há no seu lugar um muro chamado: bom senso. Ou você está fora e ignora, ou está dentro e confessa de uma vez o que realmente sente. Não existe um meio termo; é oito ou oitenta.

Com o passar do tempo, partindo do princípio em que finalmente escolhi estar fora, as circunstâncias, os fatos e o jeito que o mundo dar suas próprias voltas, foram tratando de oficializar os acontecimentos de forma natural. Como o nascimento de uma planta após uma semana de temporal. Dizem que criamos o nosso próprio destino, quem sabe seja verdade. Entretanto ninguém diz que também podemos ser vítimas dele. Assim como no caso dos mestres, nada garantirá que um dia os novos alunos não se voltarão contra seus próprios mentores. De tal maneira, não há garantias de que o coração treinado para ser frio, resolva dar – sem motivo algum – uma facada de calor na mente dum pobre solitário que não escolheu se apaixonar. Lidar com o inesperado, com aquilo que não se pode medir ou calcular é uma tarefa complicada! Ninguém de maior idade absorve facilmente a visão de um sentimento bobo que, pouco a pouco, vai devorando o tão invulnerável ego. Não escolhi viver em uma batalha interna e agora, sobrevivo diariamente numa, onde um sentimento individualista e profissional, perde para outro meloso que possui olhar de garotinho inocente. Não há pensamentos programados, nem atitudes ensaiadas. Tudo aconteceu sem a minha permissão… e ainda há quem acredite que montamos nosso próprio destino.

Depois de tudo, eu realmente achei que meu amor era perfeito. Não pela sua qualidade prática, mas sim por não conseguir mata-lo, por não conseguir contê-lo. Se ele veio do nada e prefere não partir, então concluo que ele sempre existiu. Até os cegos enxergam o quanto lhe quero. Por isso, levanto a bandeira branca (ou vermelha) e me rendo a você. Agora, tudo não depende mais de mim e sim da pessoa amada. Pois se um amor atemporal for realmente capaz de ser correspondido, então existem razões pra acreditar que, dando espaço a ele, certamente ficaremos juntos para sempre…

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