Bela anátema

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Você é jovem e, na atual situação, não há outro fator de maior influência além da idade no seu método pessoal de analisar o mundo. Você conhece a dor, a perda, a violência, mentira, ódio, deslealdade e traição. Trabalha maneiras de bloquear os canais – naturalmente já inclusos dentro de si – que transmitem exatamente as mesmas energias listadas acima.

Existem dias em que você apanha, existem dias que bate. E há outros em que você simplesmente perdoa. Seja por cansaço, seja por maturidade. Na verdade, você pouco sabe a diferença entre os dois casos. Tão somente perdoa! As pessoas, a vida, a sociedade e tudo pelo tudo do jeito que é e tende ficar.

Embalado nessa rotina incessante, niilista e insuportável, é normal se perguntar: “afinal de contas, cadê a felicidade que tanto imaginamos encontrar nessa fase da vida?

Questionamos por deduzir, raciocinar e concluir que se o mundo é originalmente pecaminoso, triste e sem sentido, então logo deve haver uma maneira de torna-lo feliz, agradável e puro. Uma utopia bela e romântica, quem sabe. Todavia as questões morrem nos primeiros meses de maturidade e você resolve aceitar o fato de que a felicidade plena foi retirada da humanidade e só voltará por influência de dedos superiores. Talvez amanhã ou talvez depois de muitas guerras, nunca se sabe. O apocalipse adora ignorar o fator: tempo.

A pergunta então é alterada: “o que fazer para ter, ao menos, alguns momentos de alegria em vida? ” A resposta já está embutida no pensamento e talvez, até no próprio ato de indagar;

A felicidade está numa música, no sorriso da pessoa amada, no brilho do sol, no cheiro da chuva, no gosto do bolo. Na vitória do time, no acorde bem feito, na foto que ficou bonita, no sutiã que não aperta os seios. Está na série online que rodou sem travamentos, na prova com resultados positivos, num elogio do trabalho, no abraço de um amigo.

Desde a queda de Adão a felicidade foi entregue a humanidade em doses homeopáticas. Você a sente, tão logo ela se vai. Todo o restante do tempo é utilizado na busca por novos momentos semelhantes.

Isso é viver! É encarar um planeta cinzento e usar todos os meios possíveis para torna-lo colorido. As vezes funciona, as vezes não rola. Mas existe uma graça ao tentar. Agora, por exemplo, por mais melancólico que este texto se apresente a ti, jovem leitor, saibas que cada letra digitada é um ato de coloração no universo de um certo alguém. Saibas também, que se o próprio texto lhe ajudar a buscar um pouco mais de entusiasmo, um mundo a menos irá dormir preto e branco.

Isso é compartilhar a felicidade. Agora, vamos trabalhar para criar um novo momento…

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2 comentários em “Bela anátema

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