Soldadinhos de hastags

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Todos os direitos ao artista (Rodapé)

 

Depois de alguns anos mergulhado no vicio, aprende-se a desconfiar rapidamente de certas coisas na Internet. Não falo apenas por ser um profissional do ramo tecnológico, mas sim porque, ainda como usuário, desenvolvemos instintos contra a falsidade e canalhice de certos links e propagandas que claramente foram desenvolvidas no intuito de infectar e roubar o máximo possível de dados, os famosos malwares. E isso nem é lá tão difícil, na verdade é bem simples obter informações da maioria, todavia não como um bandido! Falo de informações transmitidas de maneira inconsciente. Sem precisar de muito esforço, chegamos a certas conclusões com uma larga margem probabilística a favor, utilizando tão somente como fonte aquilo que é publicado pelos demais.

Numa era de ânimos aflorados, estabilidade política, crises e rumores de crises, é normal que boa parte das pessoas sintam necessidade de criar suas próprias publicidades de opiniões, até mesmo este texto será fruto da mesma causa/efeito, os possíveis comentários que ele receberá, também serão. Todavia mais grave que isso é sabermos que numa análise rápida de comportamentos, é relativamente fácil descobrir quem está mais propenso a seguir determinadas ideologias verificando apenas os gostos particulares de cada um… Por exemplo, o discurso conservador jamais atrairá jovens que buscam revolução cultural, que não se importam para o modelo tradicional de família e/ou sociedade. Pelo mesmo motivo que juvenis religiosos e fundamentalistas não estão nem aí para as pessoas que se esforçam pra modificar radicalmente a sociedade que vivem. Note, caro leitor, que no final das contas, ninguém necessariamente precisa gostar de política (no sentido clássico da parada) para acabar militando por ela, se um dia for necessário.

O que estou afirmando vai além de um método de dedução chinfrim. Não se trata de pessoas que compartilham imagens psicodélicas, doutras que só publicam selfies do rosto, ou de quem adora lançar conteúdos machistas na linha do tempo. Sequer é necessário muito intelecto para saber que o primeiro possui uma forte predisposição que logo irá levá-lo ao mundo das drogas, o segundo enxerga algum defeito no tamanho do corpo ou possui problemas com a autoestima e o terceiro não passa de covarde que julga necessário sobressair seu ego acreditando que isso lhe ajudará, de alguma forma, a ter uma companhia na cama a noite. Eu não falo exatamente disso, estou indo além, o buraco é sempre mais em baixo.

As discussões sociais costumam dividir opiniões até daqueles que não se importam com a sociedade. No final das contas, a garota revoltada com os pais por não poder curtir sua rave semanal, votará no sujeitinho que prometeu transformar radicalmente os valores culturais de sua nação, assim como outros jovens na mesma situação tomarão atitudes semelhantes, mesmo detestando as épocas de eleições. A “lógica” dessa galerinha atual é andar de mãos dadas com quem afirma compreende-los, ainda que o dono desse “colo emocional” seja um louco desvairado. É mais fácil apoiar loucos que acolhem do que sadios que julgam. E isso sim, é algo da qual deveríamos sentir muito medo.

Já dizia Tocqueville que na política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades. As redes sociais já estão além do plano inicial que era garantir novos amigos, elas também invadem o íntimo e afloram pensamentos diversos sobre o cotidiano de qualquer um. Só que agora, estão se aproveitando dessa condição, para dividi-la em lados distintos. Tudo pela convicção particular de uma minoria. Não existem mais espaços para neutralidade, todo pensamento recebe um teor político, pois no fundo tudo é política. Nossa preocupação precisa estar voltada para as pessoas que inocentemente estão embarcadas em correntes ideológicas sem possuir noção alguma disso. Caso contrário, cedo ou tarde, elas darão poder a alguém que faça questão de controlar nosso anseio de democracia e liberdade de expressão. Precisamos desenvolver um método de fazer com que a visão política da juventude atual, seja guiada pelo mesmo senso de calúnia utilizado no julgamento das propagandas virtuais enganosas.

Pois aquele que se acha sagaz o bastante para clicar, curtir e compartilhar dados corretos, também precisa sê-lo na hora de realizar seu voto. De outro modo, não haverá malware mais doloroso que o próprio mundo real…

3 comentários em “Soldadinhos de hastags

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