Filhos da geração Y

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Quem já foi ao zoológico assistir a rotina dos chimpanzés que, amuados e longe do habitat ideal, passam o dia matando o tédio imitando as pessoas ao redor, sabe o quão triste e delicada é a situação dos bichinhos. Papagaios também são bons nisso, mas eles perdem a paciência muito rápido. Já os macacos, enquanto receberem petiscos, continuarão copiando as “zoeiras” dos primos humanos, como forma de diversão ou agradecimento.

Agora, por um breve momento, observe a sociedade ao redor utilizando uma certa ótica paragonal ao exemplo acima e veja o quanto nos tornamos mímicos de nós mesmos; imitamos, copiamos, defendemos, exemplificamos conceitos retrógrados – damos a vida por isso. Muitas das vezes sem receber petiscos, ou qualquer outra gratificação em troca.

No atual Brasil, nossos melhores pensadores, filósofos e cientistas sociais são homens e mulheres de bons currículos e argumentos convincentes, entretanto é possível contar nos dedos o número de pessoas que não ligam o modo “rádio replay”, repetindo por aí – num tom agudo ou mais grave – as mesmas afirmações feitas por cidadãos que já foram refutados há séculos atrás.

Concordo com a opinião de quem visa construir o futuro com os aprendizados do passado. Concordo também com todos os intelectuais que protegem, ensinam e divulgam os pensamentos de nossos mestres ancestrais. Na verdade, não consigo imaginar um modelo sadio de cultura que não preserve as ideias de seus mártires, gênios e heróis. Porém em algum momento no decorrer da nossa geração (seja entre a evolução dos videogames e a conversão dos livros em insignificantes megabytes), nós estagnamos! Não geramos mais pessoas influentes. Geramos bons propagandistas, bons de retórica e todo restante são boas cópias dos perfis anteriores, nada além disso. Exceções estão a peso de ouro.

Agradeceríamos a existência de uma nova voz como a do Renato ou uma nova peça como a de Nelson. Perfeito seria dividir um país com cidadãos do nível da Elis, de Amado, Niemeyer, Enéias, Alencar, Castro Alves, Malfatti e tantos outros que marcaram suas devidas gerações, do campo que vai desde a arte até a política. Todavia na atualidade, mentes inovadoras são rejeitadas pela sociedade de padrões pré-definidos, tal como o macaco sábio que é tido como doente pelo resto do bando, apenas pelo fato de ignorar a pantomima e babaquice dos demais. Daqueles que se vendem por tão pouco.

A verdadeira intelectualidade já foi venerada, defendida e até julgada como louca, mas é a primeira vez na história que intelectuais estão sendo transformados em símbolos de vergonha e defeito de fabricação. Não se pode mais refletir por fora da caixinha, por fora da tão vermelha ideologia mãe. A juventude se perde dando nós em cordas e um belo dia será a humanidade que se enforcará nelas.

Se fosse para deixar um conselho aos nossos descendentes, além de todos os outros avisos deixados por nossas lendas do passado, diria para eles não se venderem por tão pouco. Para não entregarem suas ações e pensamentos nos dedos de uma minoria. Para não se sujeitarem a qualquer coisa pelo preço de bananas e amendoins.

Prezem pelo ceticismo e racionalidade, até o fim. Somos imagem e semelhança de um criador inteligente e não de uma criatura bruta. Este era o pensamento dos maiores nomes da nossa espécie, então que seja também, a nossa maior esperança…

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2 comentários em “Filhos da geração Y

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