Rendido e mal pago

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As vezes nos jogos das relações vividas, acontecem coisas engraçadas que aparentemente não possuem explicações lógicas. Ou que, pelo menos, ninguém se importou e não se importará em tentar explica-las. Costumo dizer que apenas solitários falam de amor. Porque quem de fato ama (com exceção de alguns casos especiais), pouco se importa em tentar demonstrar com palavras tudo aquilo que sente, geralmente eles preferem demonstrar de outras formas… Formas das quais, sou até obrigado a recomendar, hehe.

Só que hoje, quero falar de amor. E peço encarecidamente que meu status civil não pese na balança a partir de agora. Ainda mais porque tentarei passear sobre um tema que compõe parte desse enigma do qual muitas pessoas preferem não tentar explicar. Vamos lá:

Existe um fenômeno muito comum na rotina juvenil das últimas décadas. Até o presente momento, esse fenômeno não possui um nome e muitas pessoas o consideram uma doença inegavelmente fatal. Sabe… geralmente, quando se conhece alguém, o que esperamos é que tudo dê certo. E “dar certo” não é, tão somente, converter todos os sonhos e planos para a realidade. “Dar certo” é ir bem além disso; é conseguir atravessar a fronteira do horizonte, ultrapassar todas as expectativas, viver o que ainda não foi sonhado. Em resumo: é ser feliz.

E justamente quando se passa por momentos do tipo, que o tal fenômeno inexplicável costuma aparecer. Por exemplo, imagine que você conheça alguém e se apaixone de imediato. Só que… Porra! Se apaixonar? Como assim? Nada é assim tão fácil! Aliás: você não é assim tão fácil. Contudo, o negócio acontece como num simples estalar de dedos – Imagine que estranhamente dessa vez a facilidade seja tanta que até lhe assuste. Do nada o sentimento simplesmente flui e você que se dizia tão experiente, frio, calculista e controlador do coração, percebe então que virou um patinho besta, capaz até mesmo de ficar dando risadas idiotas pra qualquer filmezinho sentimental dos anos 80 que passar na sessão da tarde.

Emoções começam a surgir, conflitos pessoais também. Quem já passou por isso sabe exatamente qual é a sensação; da noite pro dia, detalhes como a opinião política do sujeito (a), o que ele/ela pensa sobre religiões, seu gosto musical, estético, artístico ou qualquer outra coisa considerada primordial ao arrumar um par perfeito é deixada em segundo plano. Você não apenas passa a gostar, como num desses casos de atrações previsíveis e naturais. Mais do que isso: você realmente quer! Só pra você. E passa a julgar seu objeto de desejo, já não mais pelo que ela/ele gosta, mas simplesmente pelo fato dela/dele existir! Como se numa mágica, toda árvore social e seus ramos morais ligados a personalidade da paquera se tornassem relativos, totalmente adaptáveis pela possível vida futura que terão juntos.

Como isso é possível? Pode tal sintoma ser considerado amor? Isso não é perigoso e doentio? Não deveria ser o tipo de caso do qual devemos entrar no quarto e não sair de lá até esquecer?

Olha… Eu não sei.

Sei que enquanto algumas pessoas solitárias adoram mostrar para o mundo o poder de possuir as chaves do próprio coração, outras que foram tragadas pelo cupido do destino e dividem essa “doença”, estão cada vez mais felizes, formando relacionamentos verdadeiramente duradouros.

Enfim, pessoalmente, sempre achei mais bonitos os casos de casais que realmente se conheceram do nada. Casos que nascem sem nenhum planejamento, nenhuma escolha pré-definida pelos pais, pelos amigos, ou pelo contexto vivido. As pessoas simplesmente se encontram, se apaixonam e ficam juntas. Fazem questão de quebrar todas as barreiras implementadas pelo mundo, só para correrem atrás da própria alegria. E no final, levantam a bandeira de um convívio que indiscutivelmente deu certo, jogando no lixo, todas as regrinhas sociais existentes pra se ter alguém.

Seja doença, ou fenômeno, uma coisa é certa: é impossível não olhar para as pessoas que se enquadram nessa situação sem sentir nem um pouquinho de inveja branca.

A esperança é a de – mesmo sendo um dos que ficam parados na esquina da vida balançando as chaves do próprio coração – torcer para que, esse modo de vida, cause raiva no destino. Quem sabe ele não percebe que o estou caguetando sua maneira de agir e formar casais? Quem sabe não decide mandar uma infantaria de cupidos em minha direção?

Acredito que amar é como estar numa montanha russa extremamente mortal e louca, sendo preciso ter alguém louco ao lado, louco o suficiente para topar entrar na montanha russa conosco.

É por isso que no meu caso, quando a infantaria chegasse, eu mesmo jogaria as chaves do coração no bueiro da esquina sem nenhum ressentimento. Nenhuma flecha precisa ser gasta! Eu me rendo as forças de tamanho sentimento…

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