A tal da relatividade

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Toda vez que encontro uma pessoa que relativiza as questões fundamentais da vida, relembro de um fato realmente curioso. Aconteceu há um tempo atrás, na época em que estudava magia, ocultismo e coisas semelhantes. Acabei encontrando um “bom” site navegando pela internet, ele era um tanto quanto famoso por abordar tais assuntos, contudo não citarei seu nome para poupar os curiosos.

Certo dia, passeando por ele, bati de frente com um texto que instruía o comportamento de aprendizes e iniciantes na feitiçaria. Detalhe! Eu não queria conjurar nada, não pretendia aprofundar nesse ramo, sequer imaginei o futuro enquadrado em tais coisas, gostava apenas de estudar e aprender um pouco de tudo, saciando minha curiosidade pelo desconhecido. O texto falava da utilidade de feitiços e num trecho em especial, o autor escreveu algo do qual nunca mais esqueci. Ele destacou que não existia “magia branca” ou “magia negra”. Tudo era simplesmente magia! A maldade existia apenas no coração do praticante e não na natureza da arte em si. Até ai não havia problemas, a dor de cabeça começou quando o mesmo escritor finalizou o texto dando uma de filósofo niilista dos séculos passados, dizendo que o “bem” e o “mal” não existem; tudo seria relativo e, partindo deste pressuposto, coisas como “verdades”, “mentiras”, ou “certo” e “errado” seriam apenas interpretações culturais que variam com o tempo. A moral seria uma simples variante, um conto de fadas, adaptado ao bel prazer de quem desejar.

Eu poderia engolir a opinião do autor, mas pareceu-me impossível. Quem é inteligente notou de primeira a mesma contradição que notei quando li o texto pela primeira vez: Primeiro ele afirma que não existe magia branca ou negra, simplesmente magia, sendo a intenção do coração humano o divisor de águas. Depois ele conclui dizendo que a bondade é relativa… Oras, bolas! Se a bondade é relativa, então qual foi o motivo de todo aquele papo sobre o coração? O que me impediria de praticar um “mal”, se compreendê-lo como um “bem”? Logo, onde estaria esse divisor de águas? Se o bem e o mal não existe, ou é relativo, então que base haveria para julgar as atitudes humanas? O que diferenciaria um mágico que sobe ao palco para tirar coelhos da cartola, de outros que sacrificam crianças no cemitério para divindades selecionadas? A reposta é clara: nada. Se a bondade é relativa, logo tudo é permitido!

Agora, esquecendo essa contradição (aparentemente não proposital) do escritor, permitam-me voltar ao tema. Desconfio de qualquer pessoa que “relativiza” demais as coisas. Tem gente que relativiza tudo, seja para adaptar as questões do Mundo ao próprio gosto, seja por cair no conto vigarista de algum filósofo fracassado, ou por, simplesmente, ser um completo idiota mesmo. Não acredito que a bondade seja relativa e nem acredito na existência do mal como essência opositora. Yin-yang é, com todo respeito, uma piada sem graça. Existe apenas o bem, pleno, premeditado e intencional. A ausência do que entendo como “bem”, é a chamada de “mal”. O mal é apenas uma ausência, assim como o frio é a falta do calor. O frio não existe, ele não é uma entidade física. Ele é apenas uma sensação, um nome dado a inexistência daquilo que deveria estar presente, o mesmo vale para o mal.

É claro que quando afirmo isso, não excluo automaticamente a existência de uma interpretação moral e de toda gama filosófica estudada em cima disso até aqui. Entretanto a moral é tão somente aquilo que decorre da maioria. Um conjunto de visões, pensamentos, costumes, ideologias e comportamentos que não necessariamente são bons, mas são aceitos. E nem tudo aquilo que é aceitado pode ser definido exatamente como bom, o consenso nem sempre está ao lado da bondade, ele sim é relativo já a bondade é plena. As sociedades aderem aquilo que as convém e por isso a diferença de opiniões universais. A divergência está naquilo que aceitam para si e não necessariamente no fundamento da bondade que, pode apenas ser encontrada na ética e seus princípios fundamentais. A ética é um conjunto de valores imutáveis analisados pela ótica da razão. Pedofilia, assassinato, roubo e coisas semelhantes são antiéticas, inaceitáveis em qualquer lugar do mundo, quiçá do universo. Isso difere de questões morais como maioridade penal, fumo em locais públicos e outras coisas do gênero.

Esses equívocos rotineiros e conflitos típicos de pessoas confusas demonstram o quanto a sociedade brasileira está decaindo. Pena não se resumir apenas a quem já não sabe mais diferenciar a gravidade do que a feitiçaria pode trazer para si mesmo e para o próximo, tem gente que já relativiza questões bem mais sérias como o abordo, o uso das drogas, incesto, diferenças raciais, o livre comércio, as religiões, etc. É uma pena saber o quanto este caráter niilista é propagado e divulgado até mesmo nas escolas como algo demasiadamente comum. Pena maior é saber que não existe um jeito fácil para mudar isso, uma mágica talvez, que colocasse juízo na consciência pública. E mesmo que fosse capaz de conjurar qualquer coisa pra dar um jeito interferindo na liberdade das pessoas, seria este um ato moralmente justo? Não sei… Hoje em dia é relativo! Depende de quem interpreta…

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