Nos muros de um hospício

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Eis me aqui, solo, entre a medicação e o giz. Agora bloqueado pela emanação que alegra o dia, ausente do encanto social estabelecido, sinto uma grande interrogação e o vazio da dúvida que chega a ser denso. A vontade de chorar é grande principalmente quando se tem um coração já encharcado por uma tempestade que molhou antes… Tudo dói no peito e sem motivo, são vinte e quatro horas de momentos incolores e dores que não possuem nomes.

Não é falta de companhia, nem do que fazer, é apenas ter acordado num dia onde tudo o que se mais quer ainda não foi alcançado, é a falta de paciência pra ter que esperar esquentar e tudo ainda permanece gelado. É um dia quando já se acorda cansado. É ter que mudar um pouco de ânimo mesmo que seja para o desânimo. Um dia onde não se tem nada! Só o agora, o presente, pequeno e ínfimo, espremido entre um futuro largo e um passado cada instante mais enorme onde não se existe, só se sabe.

Não se vê a folha murchando, ela está murcha! Não se vê a ruga formando, não se vê o fio crescendo, não se vê a fração do segundo, e o tempo todo tudo acontecendo. O instante mínimo responsável pela transformação que ainda não aconteceu. E a falta de paciência em esperar… Não se é impaciente, mas se está impaciente.

Amanhã tudo voltará ao seu lugar e a crença em um dia feliz, sem a inspiração da preocupação, igualzinho como foi ontem; mas hoje o momento é dedicado à morte da crença, a falta de esperança, a angústia, a ansiedade, a insônia, a desistência do que nunca vigora por mais que se regue. E lá se foi um dia que não combinou com sorrisos nem com lágrimas. Foi apático por sua força advinda da estagnação.

E a vontade de explodir, antes arcada no mais puro sussurro, finda seu transbordar entre a linha tênue existente nas frases que começam do giz e terminam no sangue das minhas mãos, percebo agora, sem cores e (com sorte) pela ultima vez, que “viver” é tudo isso que Eu costumo esquecer.

 

 

 

 -Adaptação de um lindo pensamento que encontrei nos meus arquivos pessoais, contudo apesar de muito pesquisar, não encontrei seu autor.

A ele, todo crédito e admiração.

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