O mundo está cada vez mais carente

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Digam o que disserem, o mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância,
Esperando por um pouco de afeição… ♫

Musica: Esperando por mim –  Legião Urbana

 

Seja num grupo de adolescentes evangélicos brasileiros encaixados em algum tipo de propósito que obrigue o exercício da fé na espera de pretendentes perfeitos, seja um conjunto de jovens nerds na Rússia, discutindo a frieza das mulheres conterrâneas em algum tipo de fórum idiota da internet. Seja uma solitária americana que resolveu largar o marasmo da vida para mergulhar em Reality shows atrás de parceiros do sexo oposto, ou algum quarentão chinês que, após se dedicar por tantos anos a família e ao campo, descobriu a internet e se encantou com a quantidade de mulheres nas redes sociais… Matematicamente, não importa! É sempre indiferente quando a conclusão for à mesma e ela é muito simples: as pessoas estão carentes! O mundo nunca precisou tanto de um abraço. Isso não é uma percepção, é um aviso! Deveria ser colocado nas capas das revistas e jornais.

E com “carência” não falo exclusivamente da ausência de relacionamentos, mas também de qualquer tipo de afeto – há mulheres que de fato precisam de um bom macho! Outras estariam felizes apenas com um cachorrinho de estimação. Claro que (pelo menos até onde sei) homens e cachorros satisfazem áreas diferentes do lado emocional feminino, contudo é apenas uma maneira de dizer que existe certa falta de apreço no coração público e isso não se resume apenas as mulheres… O Irônico, não? Em plena era da informação, quanto mais às pessoas estão juntas e conectadas, mais gente simpatiza com a solidão. Da lê as páginas e grupos que satirizam a angustia e seus milhares de usuários diretos e indiretos (E eu estou entre eles). Entretanto o foco de hoje são justamente os primeiros exemplos, isto é: as pessoas que realmente capengam quando o assunto é conseguir alguém legal pra ficar. Pessoas que já tentaram de tudo, desde simpatias astrologicamente tolas e rituais que envergonham qualquer santo, até mudanças no visual e estilo de vida -, tudo pelo mero desejo de chamar a atenção de um companheiro (a) da qual, se pudéssemos exigir, mal saberíamos definir exatamente suas características. Isso é fruto de um defeito humano: esperar que os outros preencham um vazio do qual nós mesmos conseguiríamos preencher (ou ao menos disfarçar) com um pouco mais de esforço e amor próprio.

O vazio interior faz as pessoas buscarem relacionamentos como se fossem soluções e não meios. Acredito que aqueles que saem à caça deveriam não acreditar no destino; sair à procura da pessoa amada é objetivar o que deveria acontecer naturalmente, as chances de forçar situações errôneas são enormes, os riscos de voltar à solidão são piores ainda. Eis talvez o problema da ironia que envolve nossa geração: todos nós somos cercados de muitas opções e o grande número delas gera desapego a dedicação, as pessoas não se interessam tanto por alguém enquanto houver outro “tão legal quanto” na aba ao lado ou no aplicativo ao lado também envolto pela mesma maré, completamente disposto a conversar e dividir os mesmos prazeres momentâneos. Logo o que vemos, percebemos e colaboramos é com uma falha geral do exercício da conquista – existem acúmulos de prazeres em relações curtas e desprezos por investimentos em relações de longo prazo, o que é péssimo, afinal a maior ilusão de quem pensa que possui muito é saber que na verdade não possui nada. O resultado é a solidão coletiva e a solidão gera depressão, semente do desassossego que pode ser, emocionalmente falando, uma característica mortal. É esquisito saber que no mundo que precisa de abraços, há entre seis e sete bilhões de opções para usufruir, contudo o dilema não é a falta de braços, mas de vontade, objetivo e empenho.

Nós, por fim, vivemos essa ilusão de viver. As pessoas se encaixaram a frieza mútua da modernidade, adaptando ou esmagando aqueles que percebem o quanto tudo caminha sem rumo ou lógica. Se você está namorando, então precisa se preocupar apenas com a felicidade da sua relação, em agradar o seu parceiro (a) e garantir um vínculo seguro em meio a uma sociedade tão caótica. Você estará ocupado demais beijando na boca para perceber as entrelinhas da convivência humana. Agora se você está solteiro existem apenas duas opções: ser um passivo ou ser um rebelde. Ser passível é fácil; basta conciliar-se aos “ritos” coletivos no desespero de possuir alguém (como os sujeitos descritos na introdução). Agora, como rebelde, haverá picos momentâneos dos quais será necessário esbravejar e reclamar do quanto às coisas estão cada vez mais anormais e complicadas. Esta ultima atitude, porém traz certas generalizações como consequências. Foi o que brincou certa vez, Carlos Drummond de Andrade, dizendo: “Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada”. Evidentemente só reclama quem não está ocupado beijando na boca, mas oras bolas, Sr. Carlos, rebeldia a parte, todo nós sabíamos desde o principio que esse tema poderia ser exposto facilmente na capa de um jornal…

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