Sem romance! Por favor…

 

tumblr_n7exghp70v1qik4d9o1_500-8955.jpg

 

O amor deixa de existir quando não é correspondido. Essa é a minha máxima! Esse é o ponto de partida. Podem colocar a afirmação num quadro, numa lápide, ou no status de qualquer professor quarentão e solitário, cheio de gatos em casa. O amor deixa de existir quando não é correspondido, pois é só assim que ele funciona: correspondendo. Todo resto não passa de desejo platônico, fadado ao fracasso e extraído de qualquer fonte de esperança. Isso não tem nome, mas para mim não é amor, se for não quero senti-lo. E não desejaria a ninguém, nem mesmo ao meu pior inimigo.

Historicamente falando, alguns coitados foram marcados pela memória pública por fazerem da vida verdadeiros duelos com os próprios corações – eis por ai, disposto a qualquer um que deseje conhecer, todas as dúvidas, rancores, ódios e dores da humanidade lançados na arte, nos livros e nas músicas. Para nós (brasileiros) a coisa ganha cor precisamente no Brasil do século XIX onde a Europa contaminou as terras tupiniquins com essa ideia da platonice exagerada e dos “prazeres” oriundos do fardo que existia em amar alguém. Não seria surpreendente se todos soubessem que, no Brasil, essa comoção social não se resumiu apenas aos séculos passados; amar é complicado, sempre foi. Nossos pensamentos, atitudes, reações, gostos e preferências são alterados involuntariamente. Do dia pra noite, passamos de racionais a cães adestrados. Aliás, por falar em cães, acredito que a única coisa que bloqueia as possibilidades de agirmos como eles são tão somente o pingo de sensatez e racionalidade que nos sobrou da evolução. Entretanto no caso dos homens, não é preciso muita provocação feminina para nós perdemos até mesmo isso.

Sem correspondência não há como amar, o amor é um sentimento mútuo. Dizia Platão que o amor é formado de uma só alma, habitando em dois corpos. E enquanto os romancistas choravam, centenas de anos antes, Sócrates também já relembrava que quando o amor é de verdade não se ama em segredo. Se os europeus buscassem paradigmas nos próprios gregos, culturalmente tudo seria diferente. Haveriam mais atitudes e menos berreiros… E se pararmos para pensar, isso é tudo que as princesas esperam até hoje no curriculum de um cavalheiro. Com um pouco mais de ação no lugar de serenatas, a história asseguraria o romantismo como uma era de ouro no coração popular. O pessimismo não seria tão temperado, os poetas seriam bem mais felizes e todo mundo sairia ganhando.

Porém, nem tudo são flores. O grande problema de sermos dotados da possibilidade de possuir um sentimento incapaz de ser domado é que, quando ele é direcionado para alguém que não deseja tal tipo de relação, a desilusão machuca, destrói, adultera e transforma. Remove todo amor que escolhemos não ter e deixa um vazio enorme no lugar do mesmo, a vida passa a ser triste, sem pedir a nossa permissão para ser. Contudo por mais difícil que seja, nesses casos, não adianta chorar. O século XIX provou que essa não é a melhor solução. Apenas a superação modifica o vazio e quando descobrimos isso, percebemos que tudo na vida possui um sentido, situações das quais de fato precisam aparecer para renascermos fortalecidos. E num breve resumo, é tudo isso que importa.

O amor não existe quando não é correspondido… Pessoalmente falando presumo que, partindo desse princípio, se amo sem retribuição, então nada sinto ou nada deveria sentir. O pensamento precisa ser esse até que tudo passe (e sempre passa). Como diz um velho ditado: o que não mata, torna mais forte. Nesse caso, o que não mata deixa um pouco mais frio, sagaz e prepotente. Mas antes um frio buscando recomeço, do que um quarentão solitário, principalmente sabendo que não curto gatos…

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: