Teorema Azul

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Ah… Cara! Sinto-me o homem mais azarado do Mundo!

E de fato sou digno de tamanho azar, pois tens me dado trabalho, desde o dia em que te conheci. Pergunto-me, relembro e não me canso de ficar calculando… Deveria ter sido fácil! Como foi em todas as outras vezes, nas estranhas, incontáveis e curtas estações da vida.

Mas quando você aparece, transforma cada pedaço do meu Mundo e desconfigura todo o ambiente num simples ato. Tudo aquilo que Eu sei, ouso, minto, ou me orgulho, se torna barato e justificável, dentro das penetrantes retinas das quais qualquer homem de mente sã se apaixonaria sem pensar duas vezes.

E com o tempo fui forçado a mitificar meu próprio destino, dessa vez ao seu lado. Por um momento deduzi que tudo aquilo que se foi, passou deixando verdades onde deveria haver apenas detalhes, como exemplo fica toda aquela magia que apagava nossos piores pesadelos numa troca inocente de olhar.

Hoje percebo que você não surgiu e se foi, num raio de curtos dias, sem estender e aquecer parte de mim que estava adormecido e trancado. Você realmente me tocou, foi pouco, entretanto o suficiente para assustar. E agora, me afastando de você, noto no contexto da própria relação o alavancar de uma bela história. Uma dádiva, na maneira mais simples de dizer. E dentro dessa perspectiva, faço questão de afirmar que cada momento ao seu lado foi mais do que enlaces de desejos proibidos, tudo foi especial. Desde as músicas até as cores, nos erros, nos acertos, no clima ou na posição dos astros. Tudo parecia fazer sentido, onde nunca existiu sentido algum. Só o tempo me mostrou que regras que tentei implantar em você, serviram apenas pra me afastar de ti. Pecado do qual ainda não me arrependo.

Agora Eu olho pra você… Sereno e tranquilo, por natureza, não por opção. Encaro de uma forma que talvez traduza de imediato tudo aquilo que você precise, porém de maneira compreensível, não quer mais ouvir. Meu peito já condena, mas a mente elogia cada vírgula da minha decisão fatalista. As palavras são feias e incertas, pois a garganta seca não me deixa mentir. Até porque já não preciso mais fingir.

Enquanto isso, pra você tudo é mais fácil, como num jogo da qual se está acostumada a ganhar. Um gesto, um sorriso, um toque definitivamente sedutor e completamente impessoal. Uma princesa que trás nas mãos um ego que fala mais alto e um orgulho que se entregou a alguns, apenas por experiência e aprendizado. Orgulho que, contudo, até hoje nunca foi definitivamente conquistado, e feliz será aquele que conseguir.

Agora já não adianta lhe ver, antes um encerramento digno do que um final destruidor. Tudo o que Eu quero, desejo e sinto, são apenas palavras em segundo plano e continuariam a ser, cedo ou tarde, mesmo que você estivesse deitada aqui, ao meu lado.

Por fim, confesso que mesmo sentindo falta do seu carinho, do poder de seus beijos, ou do seu cheiro (que ainda me sequestra de vez em quando), vou sobreviver me afastando, me privando do seu calor.

É engraçado… Você tinha fama de ser tão fria e hoje me esforço pra não cair no poder do seu aconchego. Existe uma interpretação científica da qual afirmam que o frio não existe. “Frio” seria apenas uma definição para a ausência do calor. E se de longe você possui o poder de me fazer vidrar no seu corpo, fazendo-me esquecer dos atos que me empurraram até aqui, sou obrigado a concluir que você nunca foi fria, a verdade é que estavas apenas me poupando de si mesma.

Só que talvez seja tarde demais, talvez eu já esteja viciado no prazer de ser aquecido. Sei lá! Pelo bem ou pelo mal, como já foi esclarecido: O azar é todo meu.

 Leonardo Veiga 14/06/2015 – Via: Recanto das Letras

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