Dor de amor…

A noite demorou a passar…
Nem sei quantas vezes despertei e quantas horas depois voltei a dormir.
O certo, é que acordei em um determinado momento e olhei as horas…  Eram 4:00 (me lembro bem).
Sentia algo estranho dentro de mim, eu havia dormido com aquilo, mas agora estava mais forte, mais raivosa…
Uma terrível dor no coração.
Eu não sabia que ela existia… Todas as vezes que eu li nas poesias, nos livros e essas coisas de mais confiança, ou ouvia as pessoas dizerem sobre, pensava ser uma metáfora.
Que “dor no coração” não era algo físico, que doía a alma, mas não o coração propriamente dito.
Aquela “coisa” me doía, o físico, o espirito e a alma!
Eu pensei em chorar, mas assim quebraria a promessa que havia feito a mim mesma de não chorar por ninguém…
Me contive, embora uma lágrima rebelde tenha escorrido pelo meu rosto pálido.
A noite parecia eterna, e acreditem, depois de sentir longas horas de “dor no coração”, eu olhei no relógio e eram 4:05, sim, haviam passado apenas cinco minutos.
Levantei-me, fui beber um pouco de água… Gelada!
Para ver se passava eu tentava dormir, e queria que meu sono curasse minha dor, como o tempo cura a dos outros…
Eu pensava, e quando lembrava eu queria chorar… Mas fui forte!
Bom, eu consigo dormir não sei que horas, mas as 6:00 acordo novamente.
Espero um longo período para chegar as 7:00, para enfim o dia começar, não que isso fosse me trazer felicidade (eu estava longe de dizer “Que belo dia!”).
Mas eu me levantaria, e faria qualquer coisa para curar aquela dor de amor.
Anos depois o tempo passa, e as 6:48 apressadamente me levanto…
Chego na cozinha e penso “Esqueci que não tomo café da manhã!!!”…
Além do mais, eu ainda não calculei o tempo em que voltarei a colocar qualquer alimento na boca, talvez isso levasse anos ou até mesmo décadas…
Desesperada procuro algo para fazer…
Eu nunca havia sentido aquela dor, aquela coisa estranha que dolorosamente apertava e mastigava o meu frágil coração de carne!
Eu queria apenas que aquela dor saísse, e até pensei, como realmente fiz pedir a um pastor ajuda, para ele “dar um jeito” de tirar aquela dor de mim.
Minha adolescência inteira, eu passei ilesa de dor de amor, apaixonei-me… Mas nunca havia sentido dor tormentosa como aquela!
Ligar para minha mãe!
Mamãe de certo sabia uma coisa que tirasse dor no coração… Sei lá um exercício, uma oração…
Qualquer coisa que me livra-se daquilo!
Minha mãe, chocada, não acredita no ocorrido,  e depois de um longo tempo, eu como, uma criança boba pergunto: “Mãe como se faz para tirar a dor do coração?”…
Minha mãe, sorriu e me disse : “Ah filha… Demora, isso demora a passar!”…
Então eu não suportei mais e comecei a chorar, e não chorava mais de paixão, eu chorava de dor no coração!
A minha irmã, que ouviu minha conversa, e sorriu… Veio ao meu encontro me abraçou e me deu uma resposta mais animadora: Pelo tempo, “pelas coisas da vida”, aquela dor no coração passaria em uma semana!
Mas se uma noite durou décadas, uma semana duraria séculos – pensei.
Ela, que havia sofrido dessa síndrome a pouco tempo, me informou que o caso dela era bem mais critico que o meu, e que ela havia emagrecido de tanto chorar!
Bom, nada animador saber que eu poderia chorar tanto, que findaria as lágrimas e começaria a lagrimejar as gorduras corporais, que por sinal não tenho muita, e poderia então chorar outras coisas mais, como o meu próprio sangue…
Meu avô ensinou aos filhos que dor de amor sempre se cura em 15 dias para os casos simples e 30 dias para os mais complicados, como a dos casados.
O certo, é que aquela coisa sairia de mim em uma semana, sendo assim na próxima sexta já estaria curada e poderia ser eu novamente!
Depois eu me deitei novamente, e por um instante ri de mim mesma, sobre como eu havia sido idiota, como eu naquele momento estava agindo de forma infantil e idiota!
Depois de ri do “Mãe, como se cura dor no coração?”, a dor de amor pareceu está mais calminha, mais fininha, mais ainda doía uma dor aguda como se costurassem o meu coração.
Por isso percebi que o coração não quebra, ele rasga, e algo dentro da gente fica costurando nos fazendo senti uma dor não muito forte, pois está nos ajudando, mas como lá dentro não tem anestesia a gente sente os supostos “cirurgiões” nos “arrumando”.
Agora eu sei, que de todas as dores que tem no mundo, a dor mais chata e mais doída é aquela dor, a dor de amor…

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