A febre do novo século

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Eu não sei vocês, mas acho que o mundo está ficando cada vez mais sem graça. Não sei se estou batendo na porta da sabedoria ou da loucura. Contudo repito: ao meu ver, todos os dias, todas as horas, todos os momentos são preenchidos pelo tal do “mais do mesmo”. 

São sempre as mesmas pessoas, as mesmas músicas, os mesmos delírios, os mesmos temas. Não há inovação, empreendedorismo, novidades de vida. Aliás, nos últimos anos, “novidades” são ideias idiotas e recicladas -, Um museu reformado merece ser chamado de novo? Não! Não que Eu saiba. Não adianta reformas externas quando o conteúdo é batido e obsoleto. Minha geração é preta e branca, não cinza, simplesmente preta e branca. Vejo “cinza” como uma constante, tipo o céu nublado nos dias em que o sol está tímido. Dessa vez é diferente: o Sol realmente não deseja comparecer.

E dentro deste prisma, ofereço ao leitor apenas dois caminhos. O primeiro é ler deduzir que sou/estou doente, o segundo seria concordar comigo e engolir tal realidade triste na marra. Ao primeiro caso adianto a você, nobre leitor, que toda e qualquer análise patológica sob qualquer artimanha psicanalista a fim de deduzir traços da minha personalidade e/ou saúde, através do que escrevo está (nitidamente) fadada ao fracasso – Eu, infelizmente, estou bem e aparentemente sóbrio. 

Ao segundo caso, tenho imediatos sentimentos. Não necessariamente amor, mas compaixão, afinal você também conhece o gosto da realidade que encaramos. Que sociedade é essa? Em que Mundo vivemos? Como as pessoas conseguem sorrir mesmo sendo massacradas diariamente pelo medo, pela pobreza, pela rotina, pelo desamor, pela inveja, avareza, luxúria e todos os outros sinônimos que impregnam os nossos valores morais. Como as pessoas não percebem tal matrix? Todo esse controle em massa exercido sabe se lá por quem? Ande na rua, olhe pro seu povo, note em todos eles o reflexo do próprio abuso. A maioria não passa de seres apáticos, domesticados. Explorados de todas as formas possíveis. Batem palmas para museus enquanto entregam o sangue ao próprio diabo como forma de pagamento.

Atualmente a esperança se tornou uma dádiva. O amor? Só desculpa pra levar alguém pra cama. A amizade se casou com o interesse e a fé… Bem, só existe se for dom divino.

O que vejo no mundo vai além dos comercias de TV, vai além do efeito das drogas e bebidas pra fugir da realidade. Vai além de métodos religiosos pra objetivar o problema do sofrimento. O que enxergo no mundo é a sua verdadeira face! E devo confessar que ela é feia, triste, má e pactuada com a própria morte.

E para concluir, como havia dito anteriormente: participando do meu pensamento, só existirão dois caminhos: num deles você concorda comigo, no outro Eu não passo de um doente pessimista. Vire a direita, sente-se ao meu lado e vamos discutir maneiras inovadoras para transformar e preparar o ambiente da nova geração, ou vire a esquerda, me envie o cartão do seu psicólogo e volte a assistir sua novela ou futebol. Amanhã será um novo dia para todos nós, com suas alegrias, marcas, devaneios e contas a pagar. A diferença é que uma parcela dessas pessoas não ficarão esquecidas na história como os cartazes de museus. E ai? De que lado você está? 

— Leonardo Veiga

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