Se Eu fosse o seu homem

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Se Eu fosse o seu homem, bateria na sua porta num daqueles piores domingos chuvosos, com um pedaço da sua torta favorita na mão, um pen drive com um ou dois filmes dos anos 90 no bolso e um sorriso molhado no rosto. Só pra lhe mostrar que não é preciso muito para destruir toda depressão formada na soma da TPM com o fim de semana ruim.

Se Eu fosse o seu homem, lhe daria prioridade total na minha lista de contatos e buscaria falar com você constantemente, até quando não tivéssemos mais nada a dizer. Não faria na tentativa de melar ou paparicar nossa relação, faria para demonstra-la que independente dos meus afazeres, sua atenção sempre estaria em primeiro lugar na minha lista de prioridades.

Se Eu fosse o seu homem, te convidaria para passear sexta à noite. Iria leva-la ao parque da cidade e elogiar o seu cabelo. Estacionar na barraquinha de tiro ao alvo e só sair de lá depois de conseguir lhe dar o melhor urso disponível. Passaríamos de mãos dadas no trem fantasma e na volta pra casa, compraria um sorvete mesmo numa noite fria e caminharíamos sem rumo até o amanhecer, apenas jogando conversa fora. Elaboraria sempre os melhores encontros a fim de conhecê-la, de entendê-la, desde seus jeitos e costumes até os piores e melhores gostos, não para torna-la cada vez mais previsível e sim para saber como surpreender a mulher que praticamente mais ninguém surpreende.

Se Eu fosse o seu homem, iria te assumir e mostrar ao planeta inteiro que você é a minha mulher. Não enrolaria pra conhecer seus pais e muito menos seus amigos. Não no intuito de tornar a nossa vida mais pública do que o necessário, muito pelo contrario, a confiança de todos eles seriam as asas necessárias dos nossos voos mais distantes.

Se Eu fosse o seu homem, lhe ouviria falando mal das suas inimigas, dos problemas repentinos, do bolo que saiu mal feito, da prova que tirou dez ou do livro que você concluiu em três dias. Bolaria uma música pra você, mesmo sem saber tocar violão, escreveria o melhor poema, mesmo sendo um péssimo poeta. Tudo na mais inocente tentativa de cativar o pequeno coração que não precisou de nada disso pra me encantar.

Se Eu fosse seu homem, jogaria fora aquela regata horrível que você tanto odeia. Falaria muito mais do nosso futuro e bem menos dos jogos do Flamengo. Passaríamos o Natal no campo e o ano novo na praia. Seria um bom acompanhante, desde a festinha do sobrinho de dois anos até os shows da sua banda favorita. Durante as férias de inverno, passaríamos boas noites pendurados no telefone, falando e filosofando sobre nossas vidas, até que um dos lados se surpreendesse ao ouvir os roncos de quem tanto ama.

Se Eu fosse o seu homem, a casa inteira faria parte da nossa cama. Não haveria pudor, não haveria proibições, não haveria limites para as nossas loucuras. Nasceria o dobro de prazer para cada gota de medo. Mordidas, beijos ou puxões de cabelo, detalhes que na prática mataríamos no peito. Tudo é válido quando feito para agradar.

Se Eu fosse o seu homem, compraria uma casa descomplicada e aconchegante com um segundo andar e um quintal bem grande, apenas para carrega-la no colo depois do casamento; do portão até o quarto. Depois, cairia na cama reclamando de dores nas costas, só para ganhar uma boa massagem demorada. Teríamos cachorros, papagaios, gatos e até tartarugas. O primeiro para vigiar a casa, o segundo pra me zoar quando caísse da laje tentando consertar o sinal da nossa TV. E o terceiro e quarto… Bem, fariam companhia um para o outro.

Se Eu fosse o seu homem, não pisaria na bola. Não perderia o cavalheirismo e muito menos o respeito por você. Mesmo com todas as imperfeições, tentaria ser transparente, só pra lhe ver feliz, só pra te ver contente. Cantaria na sua janela no dia dos namorados, gravaria a cena e publicaria na internet, desde o coro sincronizado com os rapazes da academia até a cena do seu cachorro mordendo a minha perna. Faria pra deixar todo mundo calculando o tamanho do nosso amor, um amor que sobreviveria a qualquer inveja e a qualquer mesmice.

Se Eu fosse o seu homem, te carregaria para a pizzaria depois da faculdade, porque sei que pra você, comer (e comer bem) é muito mais do que romântico. Falaria alguma idiotice sobre o meu trabalho, comentaria sobre a loirinha do RH, só pra ver você pirar e bancar a ciumenta, porém com a barriga cheia o suficiente pra não poder pular no meu pescoço. Depois iríamos ao teatro apenas para rir de uma boa comédia. Eu a levaria pra casa, antes dos seus pais ligarem preocupados. No caminho ouviria você reclamar do professor que criticou sua série favorita ou do amigo idiota que gaguejou ao apresentar o trabalho. Cada momento ao seu lado seria intenso e incrível, mesmo desenhado em momentos tão simples como as gotas de chuva presentes naquele humilde sorriso.

Ah… Se Eu fosse o seu homem! E por que não sou? Aliás, por que não ser? O problema não está na falta de vontade, o problema sempre foi lhe convencer.

— Leonardo Veiga / 19/08/2015

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