Entre calças e cachaças

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Há prazeres que vivificam dias monótonos. Dias dos quais o sol se esconde e até o céu deseja dormir:

O prazer de estar na cama e aguçar os sentidos na tentativa de sentir a chuva caindo lá fora, carregando todos os segundos em gotas, como se Mundo estivesse sendo lavado dos próprios pecados.
O prazer de – ainda na mesma cama – poder olhar para a sacada e ouvi-la reclamar da semana que está pra nascer, comendo seu bombom favorito, enquanto perambula nua pela casa, de cômodo em cômodo, atrás do livro de espanhol da faculdade.
O prazer de observar sua pele no tom do cinza pardo, apaixonada, sorridente, manchada pelo nuance nublado, que pelo preto no branco, deixa um pouco a mais de desejo exalando; Uma mordida no doce para tudo aquilo que planeja, um salto de volta a cama, para aquilo que se anseia.


O prazer… De acompanhar calado, o falso dom de desvendar os segredos do seu corpo, donde pra cada sete falsetes, em dez termino louco! Sendo dominado pela ilusão de estar dominando você.
O prazer de assisti-la deixando o cobertor nas horas seguintes em busca de um banho e depois voltando ao quarto, numa pausa para se perfumar. Se preparando, se maquiando e me encarando pelo espelho, sem pudor, sem medo, brincando com o reflexo, mandando beijos, como se tudo que bastasse no planeta estivesse incluso naqueles míseros centímetros de colchão.
Sim, o prazer! Do café matinal depois de uma noite de amor, com citações, incensos e MPB. Onde sussurramos coisas transcendentais, trocando farpas e línguas, enquanto divido as atenções entre as folhas do jornal com seus olhos, venerando e acariciando seu cabelo no meu colo. De repente nascem veias de luxúria, como estrofes e cintilações de poesia, forçando-me a navegar em você, coisa que cumpro, sem perceber. E quando não ousamos mais falar, deixo rádio cumprir seu dever de exaltar todo vigor de nossas vidas.
Ah, o prazer! De existir aqui, não apenas para mim, mas por querer viver você, por querer amar você. Pelo quanto sabes que eis bela, lhe envolvi ao meu coração, numa pequena e agregada cela, a fim de te prender e lhe embriagar de paixão.

Pois há prazeres que vivificam dias monótonos. Dias dos quais o sol se esconde e até o céu deseja dormir. Mas até que o clima decida mudar, esticaremos os lábios da pálida tempestade e daremos um ao outro, motivos para sorrir.

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