Rehab

Em sonho, fui até o vale dos medos e balancei o sino da desonra.
Bradei aos quatro ventos! Exigi a presença de todos os espíritos e eles vieram, girando as chaves das minhas vergonhas, maldições, segredos e volúpias, entre suas unhas, tentáculos e garras.
Ajoelhei-me perante eles, ensaiei minha rendição. Joguei mentiras ao vento, deixei o pânico prevalecer. Meu corpo fedia. O cabelo: gosmento, o bafo: cachaça.
No cair da primeira lágrima, os monstros deslizaram entre as sombras, suas correntes alcançaram meu encalço. O relógio abraçou a meia noite, o nevoeiro decorava a humilhação.
Eles eram muitos, eles eram poderosos. E cantaram vitória e profetizaram meu acórdão e zombaram dos meu sonhos e rasgaram as minhas vestes e cuspiram no meu rosto.
O tempo talvez estivesse lá, mas só fingiu que passava.

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Florescer

Florescer

“Ao ver que com muito esforço e dedicação suas ‘meninas’ estavam florescendo, Ana teve esperança em seu coração”.

O jardim de Ana se encontrava “sem vida”. As plantas estavam murchas e não havia mais flores. As borboletas também ali não mais voavam. O jardim estava entregue a própria sorte.

As pessoas que passavam em frente ao jardim, paravam e observavam indignadas. Os comentários eram dos mais diversos: – Não era esse aquele lindo jardim?… – A Ana cuidava tão bem dessas plantas… – Por que ela deixou-as nessa situação deprimente?!… Nesse mesmo período, a vida da moça passava por uma grande turbulência. Nos últimos tempos, havia feito escolhas erradas e tomado caminhos não condizentes ao seu estilo de vida. Sua situação estava um verdadeiro caos.

Certo dia, ela parou em frente ao jardim e fitou-o por um bom tempo. Lembrou-se de como suas plantas eram lindas, que proporcionavam flores com um aroma maravilhoso. Recordou também as borboletas, que faziam espetáculos na primavera. Ao vir à tona essas lembranças, Ana sussurrou: – Eu também estou assim como vocês. Nesse momento, lágrimas rolaram em seu rosto. Através do atual estado em que suas plantas se encontravam, ela percebera o quão sua vida também estava “sem vida”. – Preciso voltar a cuidas de vocês minhas meninas… Preciso voltar a cuidar de mim…, disse ela enxugando o rosto molhado.

No dia seguinte a moça acordou cedo. A primeira coisa que fez foi dar uma “geral” no jardim, removendo todas as folhas secas das plantas. Também cultivou a terra, e passou novamente a regá-lo com frequência. Ela sabia que seria um processo longo para que as “meninas” voltassem aos seus dias de glória. Mas ela seria persistente.

A jovem também precisava arrumar a bagunça que a sua vida se encontrava. “Não posso continuar agindo dessa forma”, pensava ela. E para isso, sabia que precisava dizer “não” a certas coisas. Embora o “não” fosse difícil de abdicar, seria necessário. E nada lhe impediria de alcançar a oportunidade que dera a si mesma, de poder agir diferente.

Ana continuou cuidando de seu jardim. Não desistiu. Passaram-se dias, semanas… Até que, certo dia, quando amanheceu, ela percebera que uma flor de uma de suas plantas estava nascendo. – Oh minha linda, que alegria você está me concedendo. Ela estava emocionada. Todo o esforço para reerguer o jardim valera a pena. Suas plantas estavam reagindo ao cuidado com que ela novamente passou a ter para com elas. E as borboletas voltaram a circular por aquele ambiente, embelezando-o com lindas “danças”.

Com isso, ao ver que com muito esforço e dedicação suas “meninas” estavam florescendo, Ana teve esperança em seu coração. Tinha certeza absoluta que uma novidade de vida estava para acontecer, como se uma nova chance de ser feliz lhe estava sendo confiada. Ao terminar de regar o jardim, a jovem ficou ali parada, contemplando-o. – Eu também florescerei – falou ela com uma forte convicção, estampando um lindo sorriso no rosto…

My Fault

Maybe I should have caught the rain.
I would get a cold, I know,
But at least I would have you here,
By my side.

We invented so many excuses,
And we hide behind so many games,
We let time go by without realizing it.
Without giving due attention to their weight.

I gave you the choice to leave,
And you chose to go.
I knew you had two options
I just did not know I had none.

Yeah!
Maybe I should have caught the rain,
Colds come and go,
As well as the healthy moments.
But love is forever… you are forever!

I did not know.
I did not care.
Therefore, I lost you.
Today the rain has passed, I’m healthy.
Healthy, but alone.

O amor para a Gurizada

Aos jovens do sexo masculino

 

Ou! Você mesmo. Por que você está mentindo pra si mesmo? Ei, mano. Pare agora! Você é novo demais pra isso, cara. Deixe a hipocrisia pra mais tarde, para a fase adulta, onde você não conseguirá viver um único dia sem ter que esconder quem realmente é. Deixe as aparências para os anos da aposentadoria, onde você poderá refletir sobre os seus erros do passado enquanto lança grãos aos pombos da praça. Vamos lá campeão, você ainda é novo. O seu destino ainda não está traçado. Existem muitas decisões pra se tomar, muitos caminhos para desbravar, muitas coisas boas pra acontecer e — por que não? — diversas falhas pra se cometer.

Feche seus olhos, concentre suas energias e rasgue essa sufocante pelugem da vida social, vaidosa, virtual. Deixe seu eu interior florescer, nem que seja só por um segundo, nem que seja só por essa carta, de modo que você consiga responder a pergunta que farei com toda sinceridade do mundo. Ela é simples, mas demanda empenho e honestidade, ok? Caso já esteja preparado, lá vai:

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Dorcrescente

Escrevo dois parágrafos . Risco a página inteira. É tudo pouco. Insignificante. As linhas que escrevo não fazem sentido algum – não que tivessem de fazer. É tudo vazio e a minha escrita tem estado vazia – assim como a vida.

Desescrevo mais algumas linhas. Queria riscar a vida assim como risco esses papéis. A poesia da Matilde me desestrutura em dias como hoje. A poesia da Ana me desestrutura em dias como hoje. A poesia do Manoel me faz querer inventar uma palavra para dias como hoje. Não invento a palavra, não me procuro, não me encontro e não me salvo.

Hoje eu senti medo de viver. Tem um desespero calmo me tomando, você entende? É sempre que me procuro. É sempre que tento viver como todo mundo. Eu faço a vida ser tão pouco. Será que um dia esse não sentido vai fazer algum sentido?! A incerteza faz doer tanto. Eu queria pausar o tempo, a vida. Queria que a minha existência se tornasse inexistência. Disseram que depois da curva a vida maneirava, mas depois da curva a vida ainda pesa e pesa tanto.

Crescer dói. Ser gente dói. Depois de grande as feridas demoram mais para sarar, às vezes nem saram e a gente morre por causa de tão pouco.

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