Carta de alguém cercado pela escuridão

 

Oi,
Já passa do meio-dia, mas esse dia nublado, cinzento faz com que pareça ser mais cedo. Como você tem estado? Não precisa me responder, pode responder pra si apenas. Sabe, eu tenho estado meio que sentindo nada e tudo ao mesmo tempo. Hoje amanheci meio que anestesiada, meio que querendo fazer tanta coisa, mas ainda assim me sentindo presa, entende? Não faz mal que não entenda nem eu estou a entender direito.

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Carnevale

Droga!

Maldito tempo de festa

Tórridos dias de ódio

Ferventes noites de prazer

Composição dos quatro episódios

Dessa série que não tem você

Poxa!

Por que me deixou aqui sozinho?

Não danço, não canto e nem vibro

A letra do meu samba só leva saudade

Solitário, sem ritmo e perdido

Só vejo desvantagens nessa tal liberdade

Então!

Já aprendi a pensar na segurança

O Rio tá chato, sem confiança

Elejo uma cama e sua companhia

Te quero de volta, morena

Que se dane blocos

pessoas

folia

Carta de alguém tomado pela tristeza

Oi,

Já faz algum tempo que escrevi… estava ocupada demais cuidando das minhas tristezas. Descobri hoje, nessa tarde “meio assim”, pálida e triste que não tava adiantando muito o tratamento que eu estava a dar para as minhas tristezas. Resolvi escrever e dessa vez não tive preguiça, das outras vezes eu parei pra escrever, mas fiquei apenas a olhar para o papel. Passei um longo período com a caneta na mão e com os olhos fixos no caderno, mas não consegui escrever nada. Estava morrendo aos poucos. Lembrei de algo que li naquele livro do Rilke “Cartas a um jovem poeta”… nele tinha algo que dizia mais ou menos assim “pergunte a si mesmo na hora mais silenciosha de sua madrugada: preciso escrever?…” Eu tentei ficar sem escrever, mas só afundei mais nas minhas tristezas. Agora escrevendo isso aqui, me sinto um pouco melhor. Você já tentou ficar sem escrever? Ou você já tentou parar de fazer algo que de certa forma dá sentido à sua existência?

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espaço

Os sentimentos intensos
que diariamente perpassam meu corpo
a mente insone
em cores fortes
vibrantes
rápidas
destemidas.
Elas vem e vão sem medo
percorrem um trajeto já traçado
desconexa do que fui
aproximada cada vez mais do que sou
hoje.
Em todos lugares
pelas cores
vibro em companhia do vento.
O gênio forte que me dizem não saber lidar
não me amedronta
sou deveras confortante pra mim mesma.
Em um mundo caótico
vivo meu espaço
não quero me conectar ao que é raso.

Elipse

Eu senti vontade de fazer uma última pergunta e, como não sou muito de enrolar, peguei o celular e mandei uma mensagem. Era de tardinha, estava preparando um café. Meu açúcar havia acabado, decidi adoçar com mel. Não tenho nada contra o mel, ele cumpre sua parte, porém o gosto, é claro, não fica o mesmo. Nunca fica. Tipo esses relacionamentos que nós arranjarmos pra suprir uma carência. A carência não é nada mais, nada menos, que a falta daquele carinho, daquele toque, daquela voz, daquela assistência, que não é exatamente a de qualquer pessoa — é aquela que agrada, que satisfaz, que deixa marcas, que conquista, em gênero, número e grau. Todavia sou um ser humano, meus dias são curtos. E não ficarei sozinho na ausência do substantivo que deveria cumprir esse papel. Se não tenho my sugar, reponho com o mel; se não tenho quem amo, perco algumas temporadas curtindo a companhia de outra pessoa. Com outro alguém, a vida é diferente, mas continua sendo uma vida. Com o mel o sabor do café é diferente, mas, ainda assim, continua sendo café.

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